Curitiba- Os pescadores do litoral do Estado não devem mais ser prejudicados pelos períodos de defeso, quando a pesca fica proibida devido à desova de peixes e camarões. Um projeto da Secretaria de Estado de Relações com a Comunidade chamado Pescaria Turística, a ser implantado em aproximadamente dois meses, prevê que os pescadores do litoral paranaense tenham renda durante todo o ano. Eles deverão aproveitar as horas em que eles não estão exercendo a pesca profissional para trabalhar no projeto.
''Muitos turistas, amantes da pesca, querem exercer a atividade, mas não têm barcos para pescar em mar aberto, por exemplo. O Pescaria Turística vem para favorecer esses turistas e também os pescadores, que terão uma renda extra com essa atividade. A economia local também deve ser favorecida, uma vez que pode atrair mais turistas para a região'', acredita o secretário de Relações com a Comunidade, Milton Buabssi.
O projeto, já formatado, foi apresentado no dia 16 de dezembro de 2003 a representantes da Capitania dos Portos de Paranaguá e Antonina e a pescadores do Litoral. No dia 7 de janeiro houve uma nova reunião com pescadores e com o comando da Capitania dos Portos, que apresentou um impedimento para a implantação do projeto. ''O único impedimento para a implantação imediata do projeto é a impossibilidade dos pescadores pilotarem o próprio barco. Faz parte da legislação da Capitania. Mas, nós já encaminhamos o projeto e comunicamos o impedimento ao Comando da Marinha e estamos esperando uma resposta. O trâmite não deve demorar mais que 60 dias'', prometeu o secretário. O programa funcionar durante todo o ano.
A remuneração dos pescadores que participarem do Pescaria Turística ainda não foi definida, mas, mesmo assim, os pescadores apreciaram a idéia. ''É o que estava faltando para a gente. Nossa comunidade só tem a ganhar'', disse o presidente da Colônia de Pescadores de Guaraqueçaba, José Felipe da Silva Neto. Filho, neto, bisneto e tataraneto de pescadores, Silva Neto trabalha desde adolescente com a pescaria, assim como seus quatro filhos. ''Aqui, as únicas atividades são a agriculltura e a pescaria'', disse.
A Colônia de Pescadores de Guaraqueçaba trabalha com dois grupos de pesca, integrados por cerca de 1,5 mil pescadores. Um dos grupos trabalha dentro das baías, quando o período de defeso do camarão vai de 15 de dezembro a 15 de fevereiro. Nesta época os pescadores não trabalham, pois os camarões brancos estão desovando nas baías. O outro grupo, que trabalha em mar aberto, não pode trabalhar entre os dias 1º de março e 30 de maio, quando os camarões sete barbas estão desovando em mar aberto. ''Nesses períodos nós recebemos um salário mínimo por mês que deixamos de trabalhar, mas, na maioria das vezes recebemos com muito atraso, e, precisamos de dinheiro para sustentar nossas famílias. O projeto Pescaria Turística seria muito bem vindo, pois poderíamos trabalhar nos períodos de defeso'', avalia o pescador.

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