Projeto causa reação de diversos segmentos
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sexta-feira, 12 de maio de 2000
Maigue Gueths De Curitiba 
Setores que tradicionalmente têm posições contrárias, como as organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas, empresários do setor madeireiro, investidores e representantes de agentes bancários financiadores prometem se unir para mobilizar a população e as bancadas de deputados federais e senadores para derrubar o parecer do deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), que aumenta as áreas para desmatamento no País.
O governo rompeu um acordo com os ambientalistas para poder negociar em cima da votação do salário mínimo. Com isso, o Fernando Henrique Cardoso vai passar para a história como o pior presidente na área do meio ambiente, disse o diretor de Relações Institucionais da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani. Segundo os ambientalistas, quem negociou com a Comissão foi a Casa Civil, o que deixa claro que o governo barganhou votos em favor do projeto de Micheletto em troca da aprovação do salário mínimo de R$ 151,00. Com isso, a proposta de preservação ambiental do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), acertada em consenso entre ambientalistas e governo, foi jogada para o alto.
Reunidos em Curitiba no Seminário Internacional sobre Tendências Florestais, integrantes dos setores avaliaram que o maior problema no projeto refere-se à preservação da Amazônia. Em média, a região sofre anualmente desmatamento de 13 mil quilômetros quadrados, chegando a picos de 28 mil km2 em 1995 e 17 mil km2 no ano passado. Com esta lei, em 2001 o desmatamento na Amazônia pode voltar para 32 mil km2, diz Mantovani.
O engenheiro florestal e agrônomo Adalberto Veríssimo do Instituto Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) rebateu as justificativas do deputado para o seu projeto. A Amazônia não tem vocação agrícola, tanto que ela já tem uma grande área desmatada que está abandonada porque não tem uso, diz. Dados do Censo Agropecuário de 1996 do IBGE mostram que um quinto das áreas alteradas, ou seja, áreas de floresta e cerrado convertidas para uso agrícola na Amazônia, está abandonada. São 165 mil km2, uma área maior do que os estados de Santa Catarina e Espírito Santo juntos.
Outro erro do projeto, segundo Veríssimo, é desconsiderar que a principal atividade econômica da Amazônia é madeireira e não agropecuária. Hoje, segundo ele, 5% da população economicamente ativa trabalha no setor florestal contra apenas 2% na agricultura. Só a atividade florestal, com exploração e processamento da madeira e produtos não madeireiros como a castanha, palmito e borracha contribui com 15% do PIB regional, contra 9% da agropecuária.
Na Mata Atlântica, a situação é parecida. Perdemos um campo de futebol a cada quatro minutos, diz Mantovani. Teresa Urban do Fórum em Defesa do Meio Ambiente lembra, ainda, que no Brasil existem 500 mil hectares de terra preparados para a agricultura, mas só 200 mil hectares são usados.


