Projeto americano de defesa nuclear sofre revés
Washington, 19 (AE-AP) - O projeto de Washington de construir um sistema de defesa que proteja os EUA de um eventual ataque nuclear sofreu um duro revés ontem (18) à noite, quando uma arma desenhada para interceptar mísseis não conseguiu atingir uma ogiva simulada durante um importante teste realizado numa base da Força Aérea no Oceano Pacífico. O resultado negativo do ensaio foi confirmado ontem pelo Departamento de Defesa (Pentágono).
"A interceptação não foi alcançada", dizia a brevíssima nota divulgada pelo órgão sobre o resultado do teste. O projétil antimíssil, disparado do Atol de Kwajalein, deveria destruir em pleno vôo um míssil lançado da Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia, a 6.900 quilômetros de distância. Não houve sucesso.
O míssil antimíssil, construído pela empresa Raytheon, alcançou uma ogiva simulada num teste semelhante, realizado em outubro, na primeira prova do sistema. Mas funcionários do Pentágono admitiram na semana passada que houve problemas técnicos também com esse ensaio. Oficialmente, o órgão não deu detalhes, mas especialistas independentes afirmaram que o sistema poderia ser facilmente burlado se, com um míssil nuclear fosse lançado também um alvo falso para ser interceptado pela arma antimíssil.
A prova de terça-feira tinha um grau de dificuldade maior porque integrava o uso de radares de terra e de espaço, instalados no Havaí e em Kwajalein. Os radares, como os sistemas de localização global, converteram-se nas peças mais importantes para a evolução do sistema.
O fracasso do ensaio pode afetar o iminente anúncio do presidente americano, Bill Clinton, de que daria início à instalação do sistema de defesa antimíssil, apesar da forte oposição da Rússia. Marc Raimondi, porta-voz da Organização de Balística de Defesa Antimíssil do Pentágono, disse que a análise para determinar o que causou a falha pode demorar várias semanas.
A ogiva que serviria de alvo foi lançada num míssil Minuteman de Vandenberg às 18h19 (0h19 de hoje em Brasília). O míssil interceptador partiu de Kwajalein 20 minutos depois.
"É muito difícil alcançar um disparo com outro disparo a velocidades próximas de 24 mil quilômetros por hora", dizia, ainda antes do teste, o porta-voz do Pentágono, Kenneth Bacon. Segundo ele, o Departamento de Defesa planejava pedir ao Congresso a aprovação de um gasto adicional de US$ 2,2 bilhões, ampliando o custo do sistema para pelo menos US$ 12,7 bilhões nos próximos anos.
Moscou tem advertido que um sistema nacional americano antimísseis violaria um tratado de desarmamento de 1972. Autoridades russas recusam-se a atender a um pedido americano para modificar o acordo e alertam que a insistência dos EUA em seguir adiante com o projeto ameaça os atuais tratados de redução de armas. Mas a Casa Branca tem reiterado que o sistema é um sucessor em escala menor do projeto Guerra nas Estrelas, planejado por Ronald Reagan, e protegeria cidades americanas de ataques limitados de países como o Iraque e a Coréia do Norte.
Funcionários do Pentágono planejam desenvolver um sistema de cem mísseis antimísseis, que ficariam baseados provavelmente no Alasca, até 2005. Além da Raytheon, a Boeing também foi contratada pelo governo para desenvolver o sistema.
As autoridades e técnicos planejam realizar um total de 19 provas de interceptação. A versão final do modelo a ser usado no sistema antimíssil não deverá estar pronta antes de 2003.





