Projeto ambiental repassará US$ 15 milhões ao PR
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sexta-feira, 13 de setembro de 2002
Mônica Kaseker<BR>Equipe da Folha 
O Projeto Rede da Biodiversidade propõe ações de manejo e conservação, a partir da agricultura sustentável
Curitiba - Na próxima segunda-feira, chega ao Paraná uma missão técnica do Banco Mundial que vai fazer o lançamento do Projeto Rede da Biodiversidade. Ao todo, serão US$ 15 milhões doados, a fundo perdido, pelo Fundo Mundial de Meio Ambiente (GEF - Global Environment Facilities) ao Estado para proteção e conservação ambiental. A proposta é estabelecer ações de manejo e conservação, a partir da agricultura sustentável, em corredores que vão ligar áreas para dar mais condições à conservação da biodiversidade.
O lançamento do projeto será na próxima quarta-feira, no Palácio Iguaçu, com a presença do governador Jaime Lerner (PFL). Até lá, a missão técnica estará reunida com representantes de instituições governamentais envolvidas no projeto. A secretária de Planejamento, Yara Eisenbach, conta que o projeto foi assinado em maio e desde então o governo do Estado esteve preparando uma série de requisitos necessários para o seu lançamento.
Na primeira fase, serão repassados US$ 8 milhões, que vão alavancar mais US$ 32 milhões em investimentos do Paraná 12 Meses e do Prodetur. Depois de implementar 75% das ações planejadas, a previsão é de doar mais US$ 7 milhões. O Paraná tem cinco biomas expressivos que devem ser preservados. A floresta ambrófila densa, as matas de araucárias, os campos gerais e cerrado, e ainda a floresta estacional decidual e a floresta estacional semidecidual. O projeto prevê ações em pelo menos três desses biomas.
''O processo de desenvolvimento veio devastando essas áreas nos últimos 150 anos. A restauração demora e temos que conservar os corredores prioritários'', explica a secretária. As ações envolverão principalmente os municípios envolvidos, Emater e Codapar. De acordo com Yara, o primeiro passo será buscar a capacitação agentes.
A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) foi consultora do projeto junto ao governo do Estado. O diretor executivo da SPVS, Clóvis Borges, explica que a idéia é promover interações com proprietários rurais, em trabalhos de conexão das áreas envolvidas. ''Isso permite melhor condição ambiental para a manutenção da biodiversidade. Quando temos um capão isolado, as populações não trocam material genético com outras áreas e vão ficando mais pobres. As espécies raras ficam mais desprotegidas e mais propensas a desaparecer.''
O maior desafio do projeto, segundo Borges, será promover uma integração entre as demandas ambientais e as atividades agrícolas, o que nunca existiu. ''Será um desafio e tanto, pois prevê uma mudança de filosofia nas ações dos extensionistas da Emater, assim como dos agricultores'', diz. Ele acredita que o projeto significará o início de uma ação muito maior que o Paraná precisa.


