Projeto abre crédito para medicamentos
Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso encaminha hoje ao Congresso um projeto de lei que abre crédito suplementar de R$ 270 milhões em favor do Ministério da Saúde. Com esse dinheiro, o governo comprará remédios para tratamento de aids, hanseníase e malária, além de hemoderivados. O presidente pedirá que o projeto tramite em regime de urgência urgentíssima.
O crédito suplementar vinha sendo pedido pelo Ministério da Saúde desde março. A demora na liberação gerou protestos pelo País promovido por Organizações Não-Governamentais (Ongs) que temiam a falta de remédios, porque os estoques estavam acabando.
Ontem, enquanto ainda não havia notícia do projeto de lei, o presidente do Fórum de Aids do Distrito Federal, Cristiano Ramos, chegou a denunciar que faltaria remédio para tratamento de pacientes com aids a partir de outubro. A Coordenação Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (Cnaids) do Ministério da Saúde também admitiu o risco.
Segundo a comissão, 60% dos remédios distribuídos aos centros de referência de tratamento da aids são importados. O processo de licitação demora de uma semana a 40 dias. Os estoques dos 13 medicamentos de aids que costumeiramente são adquiridos pelo Ministério da Saúde tinham prazo de duração variado. Uns terminavam na primeira semana de outubro, outros na última. O problema é que o doente normalmente consome um coquetel que combina dois ou três remédios. Somente com a compra dos remédios da aids, a previsão é que sejam gastos R$ 157 milhões do total do crédito suplementar.
Ramos, um dos articuladores do protesto feito na quarta-feira em Brasília em frente ao Palácio do Planalto, reclamou da insensibilidade do governo em relação à aids. A pessoa com HIV não pode parar de tomar o remédio, afirma, advertindo ainda que qualquer atraso é um dano ao tratamento. Segundo ele, a interrupção do tratamento, por mais curta que seja, pode criar no organismo vírus resistentes aos medicamentos.
De acordo com dados do Ministério da Saúde já foram gastos R$ 500 milhões na compra de remédios para aids em 99. O presidente do Fórum de Aids do DF explica que o dinheiro foi insuficiente por causa da crise cambial, que elevou o preço dos remédios importados.





