Projétil encontrado não tem ligação com morte de Matheus Evangelista
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de maio de 2018
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A reprodução simulada que reconstiu as circunstâncias da morte de Matheus Ferreira Evangelista, 18 anos, supostamente após um confronto com a Guarda Municipal de Londrina, no dia 11 de março, comprovou que o estojo e o projétil encontrados no local do crime não têm relação com o óbito do jovem. A informação é do perito criminal Luciano Gardano Elias Bucharles, chefe do IC (Instituto de Criminalísitca) e responsável pela perícia.
A reconstituição do crime foi realizada a partir do relato de quatro testemunhas: três guardas municipais e uma pessoa que estava na festa onde Evangelista foi morto. Uma quinta testemunha, que também esteve no local, foi descartada por prestar informações incompatíveis com o restante dos relatos. De acordo com a perícia, as versões apresentadas são todas possíveis, porém conflitantes entre si em relação a informações como a forma de abordagem da Guarda Municipal, deslocamento na rua e prestação de socorro à vítima, que foi conduzida ao atendimento hospitalar na própria viatura municipal.
A vítima morreu após ser baleada em uma festa na zona norte de Londrina. Os principais suspeitos pelo crime são os guardas municipais Fernando Neves e Michael de Souza Garcia, que estão presos preventivamente. Conforme a versão da Guarda Municipal, eles teriam sido acionados no local para verificar uma situação de perturbação ao sossego e quando chegaram ao local, o jovem já estaria ferido. A Polícia Civil investiga, porém, se os guardas foram responsáveis pelo disparo que tirou a vida de Evangelista.
A perícia analisou quatro armas e nenhuma delas tem relação com o projétil e o estojo encontrados no local do crime. "Até o presente momento, descartamos a possibilidade de haver relação com o fato. Se surgir uma quinta arma, esse quadro pode mudar", reforçou Bucharles. Segundo ele, não dá para afirmar se os objetos já estariam no local ou foram colocados para confundir a investigação. Como a polícia só foi chamada depois de muitas horas do ocorrido, porém, ele aponta que há grandes possibilidades do cenário do crime ter sido alterado.
Outra conclusão da perícia é que o primeiro tiro disparado na festa foi efetuado pelo guarda municipal Garcia, que atirou para cima. "Não há dados técnicos para saber quem fez o segundo disparo. Nenhuma das testemunhas viu quem atirou e até agora não apareceu a arma usada. A suposição de que o projétil e o estojo encontrados no local estivessem envolvidos por enquanto foi descartada", reforçou.
Este é o terceiro caso de homicídios envolvendo os agentes da GM. O primeiro ocorreu com o ex-guarda municipal Ricardo Felippe, já expulso da organização. Em abril de 2017, ele, mesmo de folga, matou a sócia da ex-companheira, o filho e o pai de outra ex-namorada. No ataque, outras duas pessoas, incluindo um senhor de 80 anos, ficaram feridas. Nesta semana, um laudo psiquiátrico confirmou que o acusado tinha conhecimento do crime.
O segundo caso foi registrado em novembro do ano passado, quando um guarda atirou em José Vilmo Silvestre da Silva, 40 anos, depois de uma confusão na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Sabará, zona oeste. O delegado responsável pelas investigações, Ricardo Jorge, compreendeu que o agente agiu em legítima defesa, e por isso pediu o arquivamento do inquérito. A conclusão ainda está sob análise do Ministério Público e da Justiça. O guarda não foi detido. a sequência, os guardas afirmaram que realizaram os primeiros socorros e que encaminharam a vítima ao HU (Hospital Universitário), no entanto, Matheus não resistiu aos ferimentos e morreu.


