Projeções dão vantagem a direitista nas eleições de El Salvador
San Salvador, 07 (Ae-REUTERS) Descritas como "tediosas" para a maioria dos observadores internacionais, as urnas foram fechadas nas eleições presidenciais salvadorenhas de hoje (07) sem que as pesquisas pudessem indicar com certeza se haverá ou não a necessidade de realizar um segundo turno.
A sondagem de boca-de-urna da Universidade Jorge Simeón Canas mostrou que o candidato da governista Aliança Republicana Nacionalista (Arena, de tendência direitista), Francisco Flores, obteria 50% dos votos, enquanto seu adversário mais próximo, o ex- guerrilheiro Facundo Guardado - da coalizão formada pela Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) e pela União Social Cristã - tinha apenas 30%.
Como Flores precisa de 50% dos votos mais um para garantir a vitória no primeiro turno e a margem de erro da pesquisa é de quatro pontos porcentuais, para mais ou para menos, os pesquisadores recusaram-se a fazer prognósticos mais definitivos. Em terceiro lugar na sondagem aparecia o candidato do social-democrata Centro Democrático Unido (CDU), Ruben Zamora, com 12%.
A eleição presidencial de hoje foi apenas a segunda após o fim da sangrenta guerra civil salvadorenha, entre 1980 e 1992. Mas a participação foi decepcionante. Até uma hora antes do encerramento da votação, as autoridades estimavam que apenas 30% dos eleitores tinham comparecido às urnas.
O presidente Armando Calderón Sol, companheiro de partido de Flores, votou no fim da manhã, afirmando que a votação transcorria em ordem e exortando a população a "deixar de lado a apatia, porque a pátria demanda a participação de todos para a construção de um novo El Salvador".
Por volta do meio-dia, em entrevista a uma rádio local, o esquerdista Guardado adotou discurso parecido para tentar convencer os eleitores a votar. Afirmando que estava "empatado" com o candidato governista, o ex-guerrilheiro convocou todos para "desempatar" a eleição.
O clima de "festa cívica", porém, não foi o predominante no país. Falhas gritantes de organização não ajudaram a fazer com que a apatia fosse superada.
Oficialmente, há 3,2 milhões de eleitores registrados, mas a lista inclui o nome de cerca de 500 mil pessoas mortas e o de mais de 300 mil que já não vivem no país.





