Brasília, 18 (AE) - No cenário montado pelo Banco Central para o desempenho do balanço de pagamentos deste ano e do próximo, o governo refez, pela quarta vez, a projeção para o superávit da balança comercial deste ano. Inicialmente previsto para chegar a US$ 11 bilhões agora está em US$ 1,5 bilhão. Ao mesmo tempo, também foram refeitas as estimativas para o ingresso de investimentos diretos que passam dos US$ 18 bilhões previstos no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para US$ 25 bilhões.
Ao apresentar os números hoje o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou que as previsões para os investimentos diretos "estavam muito conservadoras". Ele assegurou que até hoje o volume de ingresso destes recursos estava em US$ 19 bilhões. Somente em julho, segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, os investimentos diretos foram de US$ 4 bilhões.
De acordo com o cenário de Fraga, as necessidades de pagamentos do País ao exterior deverão cair US$ 26,847 bilhões no próximo ano - ficarão em 71,010 bilhões em 1999 e US$ 44,163 bilhões em 2000. Isso ocorrerá, principalmente, por causa da queda nas amortizações que, pelo cenário, totalizarão US$ 47,114 bilhões este ano e serão de US$ 22,224 bilhões em 2000.
Fraga explicou na queda das amortizações US$ 5 bilhões podem ser explicados pela mudança no prazo dos financiamentos às importações. Depois da desvalorização do câmbio, em janeiro, o prazo mínimo destes financiamentos passou de 360 dias para 90 dias.
Lopes lembrou que o maior peso das amortizações deste ano foi provocado pela concentração de pagamentos do setor privado. Esta concentração também é decorrente de mudança de prazo. Mas, dessa vez, na captação externa.
Imediatamente após a crise da Rússia, no ano passado, o governo reduziu de três anos para um ano o prazo mínimo de captação. Na época, com a retração dos empréstimos a países emergentes, o governo adotou a medida na tentativa de facilitar a rolagem de dívidas do setor privado. Passado um ano, a maior parte destas operações está vencendo.
O cenário de Fraga também prevê uma queda de US$ 5,3 bilhões nas reservas internacionais neste ano. A previsão é fechar o ano com divisas no total de US$ 38,961 bilhões. Para o próximo ano, no entanto, está estimado um crescimento de US$ 6 279 bilhões nas reservas que ficaram em US$ 45,240 bilhões.Por Soraya de Alencar e Ribamar Oliveira ATENÇÃO EDITOR: Coordenar com a série BALANÇA.

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