Proibido em todo País, Citotec é vendido até por ambulantes em maceió
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 26 (AE) - Apesar de sua venda estar proibida em todo País, o Citotec - remédio usado como abortivo - vem sendo comercializado por farmacêuticos e até camelôs, em Maceió, a preços que variam de R$ 40,00 a R$ 50,00 a cartela com quatro comprimidos. Nos ambulantes do centro da cidade, o preço de um comprimido varia de R$ 10,00 a R$ 20,00.
A venda irregular do produto é de conhecimento do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Alagoas, Samuel Brasil. Ele suspeita que o produto esteja sendo contrabando da Itália ou fabricado de forma clandestina. "A fiscalização é falha e só funciona quando há denúncia", afirma Brasil, acrescentando que poderá solicitar a intervenção da Polícia Federal e da Vigilância Sanitária no combate a medicamentos vendidos de forma irregular.
Segundo a coordenadora da Vigilância Sanitária Municipal
Claudia Tavares, a fiscalização é feita, mas o Citotec não é encontrado porque existe "o comércio invisível" do medicamento. "Os balconistas não guardam Citotec nas farmácias e só vendem o produto quando têm certeza de que não existe perigo de punição", garante Claudia. Conforme disse, em setembro, com base em uma denúncia anônima, foi feita uma grande apreensão do Citotec em uma farmácia do conjunto Benedito Bentes
na periferia de Maceió.
Cláudia Tavares disse que o dono do estabelecimento foi preso em flagrante pela Polícia Federal e solto mediante fiança, mas está sendo processado porque é reincidente. De acordo com ela, a PF atua no combate à venda ilegal de medicamentos, quando é convocada pela Vigilância Sanitária. A Superintendência da PF de Alagoas afirmou que, no momento, não investiga nenhum caso de venda irregular de Citotec.
Depois de percorrer dez farmácias no centro de Maceió, a reportagem encontrou quatro farmácias que vendem o Citotec. Entre 12 camelôs abordados, três confirmaram que vendem o medicamento. Samuel Brasil, suspeita que Maceió esteja incluida na rota do tráfico e contrabando de medicamentos, com venda proibida pelo Ministério da Saúde. Para ele, a venda irregular de medicamentos pode ser uma forma de lavagem de dinheiro do narcotráfico, com o apoio do cartel de farmácias.


