São Paulo, 28 (AE) - Boa parte dos alunos do campus da Universidade de São Paulo (USP), na Cidade Universitária, é favorável à proibição do trote violento, com agressão física. Outros defendem a regulamentação da portaria da Reitoria da USP, que permita o trote com contato físico. "É necessário definir o que é violento", argumenta Gustavo Ambrósio, do 5.º ano de Ciências Sociais.
Na opinião de Ambrósio, não se pode restringir o direito de liberdade de brincar com o calouro. "Ele pode ter o rosto pintado e o cabelo cortado, sem que isso signifique uma agressão", disse. "O corte do cabelo é símbolo de status para quem entrou na faculdade", referendou Guilherme Faleiros, de 22 anos, também do 3.º ano de Ciências Sociais. "Alguns caras, quando estão no cursinho, deixam o cabelo crescer de próposito, para que sejam cortados quando entram na faculdade".
Para o seu colega de classe, Alexandre Vega, de 21 anos, "fazer um trote politicamente correto, como doar sangue, é forçado". "O calouro quer contato e o trote o socializa dentro da faculdade e impõe a figura do veterano". O calouro Celso Pesqueira, de 27 anos, do curso de Geografia, não pensa assim. "Cortar o cabelo é uma agressão", definiu. "Por sorte aqui não tem essa prática, pois, se houvesse, reagiria e haveria muita confusão".
Pesqueira, no início do ano, teve de pintar o rosto e participar de um pedágio, no qual arrecadou fundos para adquirir alimentos para um grupo de sem-teto. "É uma brincadeira legal, deixa a gente alegre e serve para integrar os alunos", disse. Violência - A aluna Ana Cotrim, de 20 anos, cursando o 3.º ano de Filosofia, depois de classificar como "absurda" a morte do calouro Edison Tsung-Chi Hsueh, na piscina do clube da Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz, defendeu a proibição do trote. "No momento, deve ser coibido qualquer tipo de brincadeira, pois isso pode gerar violência", previu. Político - Já o estudante do 2.º ano de História, Daniel Ferreira, ex-diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE), prega a realização de "trotes políticos". Ele não acredita que a universidade consiga impedir o trote violento. "O DCE e os centros acadêmicos devem coibir o trote violento, que só atende ao interesse de bandos que desejam a alienação dos estudantes em relação aos problemas sociais do País".
Ferreira acha que se deve "explicar ao aluno que, ao entrar na faculdade, terá de ter um pensamento verdadeiramente livre e é possível se organizar em grupos políticos e discutir os assuntos que afligem o Brasil".

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