A decisão de suspender a extração de mogno da Amazônia, tomada no último dia 5 de dezembro, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), está repercutindo no exterior, sobretudo entre as entidades ambientalistas e empresas importadoras de mogno brasileiro. O Ibama baixou uma instrução normativa (a de número 22) suspendendo o corte do mogno, exceto para as empresas que têm plano de manejo em regime de certificação ou estão em fase conclusiva de certificação. O objetivo é coibir a extração ilegal desta madeira, que chega a ser equivalente a 80% do total retirado das matas.

O diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Gerd Leipold, enviou carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso, cumprimentando-o pela medida, considerada um passo necessário à interrupção do comércio ilegal da espécie no mercado internacional. Ele disse falar em nome de seus colegas do Brasil, Estados Unidos e Reino Unido, três dos maiores mercados do mogno brasileiro. A menção expressa à certificação, de acordo com a carta, é um ''importante sinal do comprometimento do governo com o manejo das florestas, no mais alto padrão internacional''.


Para algumas empresas canadenses, a incerteza quanto à origem do mogno já vinha fechando mercados. O jornal ''National Post'' publicou, anteontem, reportagem sobre a proibição brasileira, em que o representante da principal importadora canadense e fornecedora de móveis para o governo, Gibbard Furniture Shops Ltd, afirma ter interrompido a compra de mogno amazônico há um mês, quando foram divulgados dados sobre a retirada ilegal da madeira. Agora eles importam apenas da América Central e da África.

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