Proibição de longa-vida gera polêmica
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quarta-feira, 09 de maio de 2007
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A notícia, publicada ontem, de que a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos estuda a possibilidade de proibir a comercialização de embalagens longa-vida cartonadas no Paraná, resultou em polêmica entre os internautas que acessam a Folha de Londrina. Muitos comentários sobre o assunto chegaram à redação, alguns criticando a ação do governo estadual, mas a maioria se mostrou favorável à idéia de que o fabricante deve se responsabilizar sobre o destino final de seu produto.
Segundo o secretário do Meio Ambiente, Raska Rodrigues, a decisão de proibir a venda é a última tentativa a ser adotada pelo governo e Ministério Público Estadual. O governo acusa falta de responsabilidade ambiental da empresa Tetra Pak, a fabricante no Paraná, por não ter logística de recolhimento das embalagens que coloca no mercado, o que é previsto em lei estadual e federal.
''De suma importância que haja responsabilidade deste pessoal que produz este material (embalagem) e despeja no meio ambiente sem nenhum critério ou cuidado com a preservação. Deve-se ter o cuidado com a lei para que a responsabilidade não fique na ponta onde está o consumidor'', diz o internauta Valdir da Silva, de Dois Vizinhos.
Do lado contrário, aparece o comentário de Wladmir Trunckl, de Porecatu: ''Lamentável! O Governo do Paraná parece que vive na contramão de tudo. Agora é a embalagem Tetra Pak. Outra hora é a soja transgênica'', desabafa.
De acordo com Raska, a secretaria vem buscando uma negociação junto à Tetra Pak há três anos. ''Ela nunca apresentou uma solução no sentido de construir uma política de recolhimento das embalagens no Estado'', diz. A empresa, conta, tem respondido apenas que apóia as indústrias que reaproveitam o papel utilizado na embalagem, mas nunca apresentou nomes e dados que comprovem sua ação. A reportagem tentou contatar com a empresa ontem, mas não obteve retorno.
A partir de agora a secretaria deve adotar medidas punitivas contra a empresa. ''Quando tiver embalagem nos aterros, por exemplo, será autuada. Terá que fazer a defesa, assinar Termo de Ajuste de Conduta, Termo de Compromisso'', diz. Paralelamente, a secretaria pretende conscientizar o consumidor sobre os prejuízos ambientais, fazendo com que boicote o material e compre o produto com outras embalagens.
O gerente de Pesquisas e Métricas do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, Aron Belinky, afirma que trata-se de ''um princípio de responsabilidade social'' da empresa se responsabilizar sobre o destino final de seu produto. ''A indústria tem que se responsabilizar sobre o que ela gera, e não pode transferir seus custos de produção para a sociedade'', afirma.
No início da noite, o governo divulgou que o presidente da Tetra Pak no Brasil, Nelson Findess, virá a Curitiba segunda-feira para discutir a questão do recolhimento e destinação final das embalagens cartonadas pós-consumo no Paraná.


