Curitiba- Um vídeo de nove minutos começa com cenas alegres de crianças e animais no picadeiro de um circo. O cenário muda: imagens registradas atrás das cortinas revelam o outro lado da vida dos animais de circo. Confinados em espaços minúsculos, muitos adquirem comportamento neurótico: cavalos, girafas, tigres e leões fazem movimentos repetitivos. Elefantes e chipanzés, amarrados com correntes, são impedidos de se movimentar. No final, um leão é cutucado com pedaço de ferro e um dromedário apanha com um pau.
O vídeo apresentado ontem pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal durante o seminário ''Circos, o outro lado do picadeiro'', na Câmara de Vereadores de Curitiba será usado como argumento pelos autores de projetos de lei que prevêem a proibição da utilização de animais em circos.
O vereador Jair Cézar, que promoveu o evento em conjunto com a organização não governamental (ONG) Movimento SOS BICHO de Proteção Animal, acredita que até agosto a Câmara deve aprovar o projeto. ''Antes de ir a plenária, vou mostrar o vídeo aos vereadores'', disse. O projeto de lei de sua autoria proíbe que os circos utilizem, exponham ou mantenham, em Curitiba, animais selvagens, domésticos, nativos e exóticos.
O deputado federal Affonso Camargo, que tem projeto de lei na Câmara Federal nesse sentido, afirmou que procurará a ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva, para obter seu apoio à causa, uma vez quer o próprio Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama) órgão ligado ao ministério já elaborou projeto sobre o uso de animais em circos.
O projeto federal prevê uma série de medidas. Entre elas, proíbe a importação de animais para uso em espetáculos, a compra de animais no mercado interno e o ingresso no País de circos estrangeiros que tenham animais. Os circos terão que cadastrar seus animais atuais, bem como filhotes que vierem a nascer.
''O projeto é amplo, para ser feito em cinco anos. O projeto pensa na destinação correta dos animais que estão nos circos, e estamos pensando em incluir a esterilização desses bichos também'', diz, explicando que a idéia é que em cinco anos não deverá mais existir circos com animais no Brasil. O descumprimento acarretará em multa.
De acordo com Elizabeth MAc Gregor, diretora regional da WSPA (Sociedade Nacional de Proteção Animal) no Brasil, o fim do uso de animais em circos é uma tendência mundial.
''Muitos países já proibiram totalmente e outros proibiram pelo menos o uso de animais selvagens'', diz. No Brasil, os estados de Pernambuco e Rio de Janeiro já aprovaram lei estadual e pelo menos 25 municípios também aprovaram a proibição.
Segundo a presidente do Movimento SOS Bicho, Rosana Gniper, os organizadores do evento convidaram proprietários de circos e de entidades que abrigam animais resgatados de circos para participar do debate, mas nenhuma das partes compareceu. A Folha tentou contato com representantes do Beto Carrero World e do Le Cirque, mas não obteve retorno.

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