Programas de baixo nível vão para lista negra
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003
Sandra Sato<br> Agência Estado 
Brasília - Os programas de televisão considerados de baixo nível e seus patrocinadores receberão um apelo do Conselho de Acompanhamento da Mídia da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para mudar o conteúdo. Se mantiverem a fórmula serão incluídos numa lista negra na página www.eticanatv.org.br, inaugurada ontem para conscientizar a população a mudar de canal quando as emissoras exibirem programas sensacionalistas com apelo sexual, brigas entre parentes e vizinhos, pegadinhas e exploração da miséria humana.
O Conselho, integrado por representantes da sociedade civil, se reuniu ontem pela primeira vez para analisar pareceres preliminares sobre cinco programas de TV, apontados como os campeões de baixarias, segundo pesquisa realizada pela campanha ''Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania''. Os programas analisados foram os dos apresentadores Gugu Liberato e Carlos Massa (Ratinho), ambos do SBT; Fausto Silva (TV Globo); Sergio Malandro e João Kleber, da Rede TV.
Os conselheiros identificaram que o telespectador é bombardeado por contéudos de apelo à audiência e propagandas de uma série de produtos, durante esses programas. Para a conselheira e psicanalista Ana Cristina Olmos-Fernandez, o programa ''Domingo Legal'' passa a mensagem de que ''não existe fracasso que não possa ser superado pelo consumo''. A conselheira diz que o discurso do apresentador Gugu Liberato, às vezes, sequer passa a idéia de que está vendendo um produto. Ele leva especialistas ou pessoas famosas que conseguiram ''mais coisas na vida graças ao uso do produto''.
A conselheira Sônia Maria Guedes de Medeiros, professora universitária, também identificou um grande espaço para merchandising no ''Programa do Faustão''. Mas o apelo sexual e a valorização do corpo no programa do apresentador Fausto Silva são os principais alvos de crítica da conselheira, em seu parecer preliminar. No concurso das mais belas pernas do verão, exibido pelo programa, a câmera focava demoradamente da cintura aos pés. ''Com este foco pela metade, o apelo sexual se exacerba.''
Na busca de audiência, os programas retratam situações e palavras com duplo significados e exibem cenas constrangedoras que beiram o limite da discriminação, comentaram os conselheiros. Entidades representantivas de gays e lésbicas se queixam do programa ''Eu Vi na TV'', do apresentador João Kleber. O conselheiro e jornalista Welton Trindade acusa o programa de discriminar homossexuais. ''Eles alimentam no inconsciente da população que todos os homossexuais são palhaços e estimulam a violência física e verbal contra os gays.''
A conselheira Rachel Moreno (publicitária) destaca a ridicularização do cidadão nas pegadinhas exibidas no ''Programa do Sergio Malandro''. ''A mensagem é que vale tudo por cinco minutos de notoriedade'', diz. Para o conselheiro Laurindo Lalo Leal Filho (jornalista), o ''Programa do Ratinho'' transforma em espetáculo público assuntos privados e estimula a resolução de conflitos pela violência.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Orlando Fantazzini (PT-SP) pediu aos conselheiros que nos pareceres sobre os programas busquem fundamentação legal e psicológica para as críticas, a fim de ter argumento na discussão com as emissoras, produtoras e patrocinadores. A comissão realizará pesquisa para conferir se realmente a população gosta dos programas ou não troca o canal por falta de opção. No conselho se propôs que programas das TVs fechadas passem a ser exibidas também nas TVs abertas, durante seis meses para pesquisar a audiência.


