Programas beneficiam 13% dos domicílios do PR
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de março de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Aproximadamente 13% dos domicílios particulares no Paraná tinham pelo menos um morador recebendo dinheiro de programas sociais governamentais em 2004. O dado faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o retrato dos programas sociais, em 2004, 15,6% dos domicílios no País tinham pelo menos um morador recebendo dinheiro de programa social do governo.
Conforme o IBGE, no ano retrasado 396.696 domicílios particulares do Paraná tinham pelo menos uma pessoa beneficiada com dinheiro de programas sociais. Em todo o Brasil, havia aproximadamente 8 milhões de domicílios particulares na condição citada.
O cientista político Antônio Celso Mendes aponta que os programas sociais brasileiros seguem dois padrões. ''O primeiro é composto dos programas que funcionam como esmola, são doações perdidas. O segundo é constituído de ações inteligentes, que dão auxílio e condições para que a pessoa consiga melhorar a situação social dela'', diz Mendes.
''Infelizmente, no Brasil, a maioria dos programas sociais tem perfil de esmola. O sistema político brasileiro privilegia o oportunismo, a demagogia. Muitas das ações sociais promovidas pelos governantes são paliativas, não geram melhorias profundas'', critica o cientista.
''Para citar exemplos: o Bolsa Escola, implantado no governo FHC e que teve continuidade na gestão Lula, é inteligente porque estimula a permanência do jovem na escola. Por outro lado, o Fome Zero não muda situação social alguma. Você dá comida hoje, amanhã a pessoa vai precisar comer outra vez, ela vai lá e simplesmente pega o benefício de novo. A situação continua a mesma'', afirma Mendes.
''Os governos precisam ser mais inteligentes no desenvolvimento de programas sociais e a população precisa cobrar ações de envergadura. Acredito que esses programas precisam realçar o foco nas áreas de educação e saúde'', argumenta o cientista.
A desempregada Simone Cardoso, 36 anos, que mora com o marido e três filhos em Curitiba, recebe R$ 95 por mês do Bolsa Família. ''É um dinheirinho extra, que ajuda se você souber gastar. Eu uso para fazer compras pequenas para a casa, para pagar a conta de luz'', diz. Ela trabalhava como zeladora e está desempregada há um ano. ''Meu marido é ajudante de carpinteiro e os ganhos dele variam mês a mês. Mas nunca passam de R$ 400'', revela.
A Polícia Federal está investigando a concessão de benefícios do Bolsa Família. Na semana que vem, o MPF deve propor ação para questionar os critérios do Benefício Assistencial de Prestação Continuada.


