São Paulo, 08 (AE) - Há um consenso entre a São Paulo Transporte (SPTrans), empresa que administra o transporte público municipal, e o sindicato dos motoristas de ônibus: uma ação da Prefeitura, em 1993, resultou na quase extinção dos ônibus clandestinos. A solução, chamada de Programa Bairro-a-Bairro, regulamentou 1.200 ilegais. E é bem parecida com o que a Secretaria Municipal de Transportes pretende fazer com os lotações hoje.
"Conseguimos oficializar um grupo que complementava o serviço público", avalia ¶ngelo Fêde, gerente da Unidade de Atendimento aos Credenciados da SPTrans. "É isso o que deve acontecer com as peruas, que tem o mesmo papel, após a licitação da Prefeitura."
Na época, os donos desses veículos protagonizavam uma crise semelhante à dos perueiros. O cenário de 1990, quando cerca de 4 mil ônibus ilegais preenchiam as lacunas deixadas pelo transporte oficial, é bem parecido com o que se vê hoje: veículos velhos pondo em risco a população, protestos e blitze. A diferença é que o problema quadruplicou: as peruas clandestinas são estimadas em 16 mil.
O Bairro-a-Bairro conta atualmente com 937 ônibus autorizados a circular em 63 linhas das quatro regiões da cidade. As linhas são coordenadas por 23 cooperativas. Da mesma forma que os perueiros que pretendem participar da licitação que regulamentará 4.042 lotações, os donos dos ônibus clandestinos tiveram de apresentar habilitação profissional, antecedentes criminais e fazer teste de direção.

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