O ministro da Saúde, José Serra, lançou ontem o Programa de Humanização dos Serviços de Saúde para garantir que o paciente seja bem tratado por porteiros, secretárias, pessoal administrativo, enfermeiros e médicos nos hospitais públicos. O mau tratamento dado aos doentes é apontado como o problema número 1 nos hospitais públicos, superando até mesmo as reclamações pela falta de médicos, leitos e medicamentos, segundo pesquisa do Ministério da Sa©úde.
A campanha começará inicialmente em 11 hospitais e o governo federal investirá R$ 390 mil neste projeto-piloto.
O ministro reconhece ser comum nos hospitais públicos a pessoa ser vista como ‘‘um objeto ou um cidadão de segunda classe’’, sem nenhuma justificativa. ‘‘As pessoas devem reagir ao mau atendimento’’, orienta, ressaltando que o serviço médico público continuará sendo modesto no País por um bom período. Mas corrige: a modéstia não pode justificar a indecência.
A proposta do governo é abrir um espaço para os funcionários dos hospitais exporem a razão do mau humor, dividir seus pequenos problemas e até passarem por algum tratamento psicológico. Se for necessário e todos apoiarem, o ministro está disposto a tornar obrigatória a manutenção por cada hospital de um profissional de saúde mental para ‘‘infernizar a vida’’ dos demais servidores da área da saúde.
Serra explicou que tratar mal as pessoas é mais cansativo e estressante. E avisa que baixos salários não podem ser utilizados de ‘‘armadilha ou pretexto’’ para maltratar o doente que chega aos hospitais, em geral, bastante sensibilizado.

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