Programa quer fim de confinamento hospitalar
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terça-feira, 29 de julho de 2003
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Wilma Souza Lopes, 63 anos, passou 40 anos internada em um hospital psiquiátrico. Roaldo Nogueira Neves, 49 anos, passou 18 anos. Ambos são exemplos de pacientes que estavam entre os cerca de 800 portadores de transtornos mentais do Paraná que ficam internados em hospitais psiquiátricos mesmo depois de receber alta. Atualmente eles moram com mais outros três pacientes em uma residência terapêutica. Essas moradias são, na verdade, casas mantidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) onde eles têm vida independente e voltam ao convívio social. Essa residência é a primeira experiência no Paraná e faz parte do novo sistema de tratamento de doenças mentais que busca a desospitalização dos enfermos.
No intuito de tirar mais pessoas do confinamento hospitalar e ressocializá-las, um projeto de lei, recém aprovado pelo Congresso Nacional, prevê a construção de mais residências terapêuticas por todo o País e também uma bolsa de R$ 240 para as famílias que aceitarem seus parentes novamente. É o Programa De Volta Para Casa, do governo federal. ''Por muitos anos, os portadores de transtornos mentais foram tratados de forma diferenciada das outras pessoas. Os próprios hospitais psiquiátricos, específicos para eles, são uma forma de segregação. A meta hoje é acabar com o preconceito e recolocá-los na sociedade'', explica a coordenadora estadual de saúde mental, da Secretaria de Estado de Saúde, Cleuse Brandão Barleta.
Segundo Cleuse, dentro do programa está a expansão e o fortalecimento dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs). Esses centros são ''pequenos hospitais'', onde o paciente vai para receber todo o tratamento que necessita, porém não fica internado. Assim, as pessoas que voltarem para casa ou mudarem para residências terapêuticas têm todo o auxílio sem sair do convívio social. Os principais requisitos para os pacientes obterem o benefício do programa é estar internado há pelo menos dois anos e, é claro, já estarem aptos para receber alta.
''O programa completa a reformulação do sistema de tratamento psquiátrico. Muitos pacientes perdem o vínculo com a família e essa é uma forma de retomar isso'', acredita a gerente de saúde mental do Centro de Atenção Psicossocial Conviver, Cristina Schurmann. Já as residências terapêuticas são para aqueles pacientes que não têm família, porém já podem voltar ao convívio social. A única do Paraná é mantida por uma parceria entre a Prefeitura de Curitiba, a ONG Arnoldo Gilberti e o Hospital Nossa Senhora da Luz. A nova lei pretende destinar recursos para que mais casas como essa sejam construídas por intermédio dos estados.
A previsão é que o programa De Volta Para Casa atenda, ainda este ano, cerca de 2 mil pessoas. Para cumprir essa meta, o Ministério da Saúde vai destinar R$ 2 milhões ao projeto. Após 2003, serão incluídos a cada ano 3 mil novos beneficiários.


