Marcos Zanatta
O plantio de mil mudas de espécies nativas nas margens do Ribeirão Paiçandu, que começou na semana passada, abre um projeto de reflorestamento de nascentes e cursos de água em Maringá. A elaboração e execução do projeto começaram no segundo semestre do ano passado. O primeiro passo foi em conjunto com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que definiu as espécies ideais para a recuperação da mata ciliar. Como predomina na região a terra roxa estruturada, de imediato serão plantadas espécies ‘‘pioneiras’’.
As ‘‘pioneiras’’, segundo o técnico agrícola Reinaldo Barbosa dos Santos, que atua no projeto, são espécies que morrem em cinco ou seis anos, mas têm um papel importante no reflorestamento. ‘‘As plantas das espécies pioneiras protegem as mudas da floresta definitiva’’, explica. Na segunda fase devem ser plantadas espécies nativas. Até o final de 2000 a meta é reflorestar pelo menos 40 mil metros quadrados.
Apenas o Ribeirão Paiçandu deve receber oito mil mudas de espécies pioneiras, cinco mil de nativas e outras seis mil das chamadas ‘‘econômicas’’, que podem ser exploradas pelo proprietário. São espécies como o eucalipto e a grevílea. A intenção é formar ainda um minibosque com espécies exóticas da região.
Todos os mananciais, segundo o secretário de Indústria, Comércio, Agricultura e Turismo de Maringá, Miguel Fuentes Sales, devem receber uma faixa de 30 metros de reflorestamento em cada margem. ‘‘Como determina o Código Florestal’’, frisa.
Para garantir o cronograma fixado pelo projeto, prefeitura e IAP vem trabalhando desde 1997 na produção de mudas. O ‘‘Viveiro da Fraternidade’’, implantado na Penitenciária Estadual de Maringá, produz em média 150 mil mudas/ano. Os 26 presos que trabalham no local têm a pena reduzida em um dia para cada três trabalhados. Agricultores recebem as mudas sem custo e têm assistência técnica para o manejo das áreas reflorestadas.
O chefe regional do IAP em Maringá, Ari Stroher, promete apertar a fiscalização nas propriedades. Ele lembra que a região tem menos de 1% da cobertura vegetal permanente.

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