Curitiba - A peregrinação das mulheres em busca de exames complementares e de hospitalização foi abordada pelo médico Ipojucan Calixto Fraiz, durante o Encontro dos Comitês de Prevenção da Mortalidade Materna e Infantil. A pesquisa, feita antes da implantação do Programa Mãe Curitibana, mostrava que as mulheres tinham as unidades básicas de saúde como uma referência, mas que acabavam perdendo esse elo ao procurar o sistema hospitalar.
Fraiz defendeu uma tese de mestrado em Sociologia na Universidade Federal do Paraná (UFPR) no ano passado sobre o assunto. Foram entrevistadas 17 mulheres do Bairro Sítio Cercado, em 1998, que haviam perdido o bebê no período perinatal, ou seja, da 22semana de gestação até o sétimo dia de vida do bebê. Ele diz que escolheu esse tema por considerar os índices de mortalidade perinatal ainda altos em Curitiba. O importante na pesquisa, segundo o médico, é abordar qualitativamente o tema da mortalidade infantil.
A pesquisa constatou que as mulheres consideram as unidades de saúde como parte de uma rede de solidariedade que as amparam, mas que há um afunilamento no sistema no momento de internação. ''Na rede hospitalar ainda impera a lógica de mercado e a impessoalidade. Os profissionais não se sentem parte da política de saúde pública, mas apenas prestadores de serviço'', explica. Com o programa Mãe Curitibana, implantado em 1999, ele acredita que a vinculação hospitalar começou a melhorar esse quadro, pois a mulher não precisa mais peregrinar por uma vaga para ter seu filho.(M.K.)

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