A lei que proibiu o fumo em locais públicos foi mais uma motivação para as pessoas buscarem ajuda para parar de fumar. A opinião é da enfermeira Márcia Regina Pizzo de Castro, coordenadora do Centro de Referência de Abordagem e Tratamento do Tabagismo do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Não há números que mostrem esse aumento de procura - até porque, como o programa é gratuito, a demanda sempre foi grande (há uma lista de espera de 300 pessoas) - mas há uma percepção de um interesse maior, principalmente entre os profissionais de saúde tabagistas. ''Percebemos que, depois da lei, mais funcionários do HC nos procuraram para parar de fumar'', diz Márcia. ''E a gente dá preferência no atendimento do profissional de saúde porque eles serão motivadores para outras pessoas pararem'', ressalta a psiquiatra Sandra Vargas, integrante do projeto.
Funcionando desde 2006, o programa que segue técnicas de abordagem segundo consenso do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca) já atendeu 340 pacientes. A cada três meses são ofertadas 15 vagas para o programa de um ano. Mas, não é só ir 'pegar' o medicamento, é preciso participar das reuniões de apoio para evitar as recaídas. ''O que 'pega' mais é lidar com a ansiedade'', observa Sandra.
Para ingressar no projeto, os candidatos passam por uma avaliação sobre hábitos tabagistas, dependência e motivação para parar. Também é investigada a existência de comorbidades, como ansiedade, depressão, diabetes, câncer e doenças cardiovasculares, e são feitos exames de análise de monóxido de carbono, raio X do tórax e exames laboratoriais.
Em sua tese de mestrado, Márcia comparou a qualidade de vida de fumantes e não fumantes. Entre os tabagistas, 21,6% tinham depressão moderada, 15% depressão leve e 12,6% grave, e em quem nunca fumou os números foram bem mais baixos, 3,3%, 5,1% e 3,7% respectivamente. ''A gente percebe que o cigarro funciona até como automedicação para alivar os sintomas depressivos'', alerta. O trabalho foi publicado este ano no Jornal Brasileiro de Pneumologia. (C.P.)
Serviço: (43) 3371-5807

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