Curitiba Centenas de crianças e adolescentes passaram ontem pelo Centro de Capacitação Esportiva (CCE), no bairro Tarumã, em Curitiba, com a esperança de serem descobertos como promessas no esporte. Eles passaram por uma série de testes e medidas que tinha como objetivo revelar jovens com aptidão física para a prática esportiva de alto rendimento. O Dia da Descoberta do Talento Esportivo aconteceu ontem em todas as capitais brasileiras. A meta do governo federal era avaliar nesse primeiro dia do programa 100 mil meninos e meninas. Mas para 2004 a previsão é testar dois milhões de pessoas e selecionar 40 mil jovens talentos.
Em Curitiba, a divulgação do evento aconteceu em escolas públicas e privadas e entre a garotada que treina no próprio CCE. O coordenador-geral do Centro, João Carlos Carvalho Queiroz, previa que o número de participantes, ontem, ficaria entre 300 e 500. A avaliação, feita por professores e estagiários de educação física, envolve exames de estatura, envergadura, flexibilidade, força, resistência, agilidade e velocidade. Aqueles que mais se destacarem vão fazer parte de um cadastro do ministério, chamado Banco de Talentos, que será disponibilizado ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e outras instituições interessadas em formar novos atletas.
À Agência Brasil, o secretário Nacional de Alto Rendimento, do Ministério do Esporte, André Arantes, informou que o programa visa aumentar a base de atletas do Brasil. A iniciativa, inédita por aqui, é comum em países que se destacam em importantes competições internacionais. O coordenador-técnico do programa em Curitiba, Oscar Perin, lembra que a Austrália vem realizando esse tipo de programa há 12 anos e já começa a colher os frutos do trabalho, ficando, nas duas últimas Olimpíadas, em quarto lugar.
No caso do Brasil, se o programa Descoberta de Talentos tiver sucesso, os melhores resultados poderão ser observados nas Olimpíadas de 2012 e 2016. A opinião é do coordenador do Laboratório de Excelência Esportiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pedro Lanaro Filho, que acompanhou a avaliação, ontem, em Curitiba. Tanto Lanaro Filho, quanto Queiroz e Perin destacam que o programa tem vantagem a médio e longo prazo e lembram que mesmo quem não for selecionado como ''promessa de talento'' vai encontrar motivação também para treinar e desenvolver suas habilidades. ''O importante é que todos tenham oportunidade'', lembra Queiroz. O bom desempenho no esporte depende de herança genética, interação social e meio ambiente (boa alimentação está inserida nesse ítem).

mockup