Curitiba- Três gestações ectópicas -em que o embrião se desenvolve nas trompas- fizeram a vendedora Sueli Schuta, de 33 anos, perder parte do aparelho reprodutivo e a capacidade de engravidar, naturalmente. Mas, o problema físico não foi um obstáculo para ela, que não desistiu de ir atrás do sonho de ser mãe novamente. Determinada e com apoio do marido, o marceneiro Odilson José Odia, Sueli buscou os recursos oferecidos pela medicina até descobrir o Programa de Fertilização In Vitro (FIV), desenvolvido em parceria entre o Centro de Reprodução Humana, do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba, e o Centro Paranaense de Fertilidade.
O resultado de tanta determinação tem nome, bochechas rosadas e um ar sereno. A tão esperada Ana Maria chegou às 9h43 do dia 15 de abril, pesando 3 quilos e 115 gramas e medindo 49 centímetros, para alegria dos pais e do irmãozinho Jonathan, de 9 anos. Foi o primeiro ''bebê de proveta'' a nascer, desde que o programa foi oficializado, em meados de 2007. ''Se não fosse pelo programa, não teria condição de ser mãe pela segunda vez'', afirmou Sueli, referindo-se ao empecilho financeiro. Um tratamento de reprodução assistida em clínicas particulares pode custar de R$ 9 mil a R$ 10 mil: valor que não caberia no orçamento da família.
Sueli conta que chegou a procurar uma clínica particular e se ofereceu para ser doadora de óvulos em troca do tratamento, mas, mesmo assim, teria que arcar com cerca de R$ 3 mil. Foram quatro anos tentando engravidar, até chegar ao FIV. Para sua sorte, a gravidez foi confirmada já na primeira tentativa, o que acontece para cerca de 40% dos casos de fertilização in vitro.
O casal decidiu guardar segredo sobre a gravidez. ''A gente preferiu esperar os três primeiros meses para depois contar para a família'', disse Sueli. Agora, ela e o marido não conseguem esconder a felicidade com a pequena Ana Maria, que ganhou um irmão, também, muito bajulador.
A londrinense Marinalva Pereira dos Prazeres, 33 anos, tem uma história parecida com a de Sueli. A diferença é que ela soube que está grávida a cerca de duas semanas. Casada há cinco anos, ela conta que buscou tratamento médico no HC, em 2004, pois não conseguia engravidar. Passou por uma série de exames e fez tratamento até que, no final de 2006, veio a confirmação da impossibilidade de uma gestação normal: uma infecção havia comprometido as trompas. ''Eu chorei muito, fiquei muito abalada'', lembrou. No ano passado, foi chamada para se inscrever no FIV. ''Em todos os dias das mães eu pedia a Deus que me mandasse alguém para me chamar de mãe. Acho que é o sonho de toda mulher'', desabafou.
Marinalva começou o tratamento em agosto de 2007. O apoio do marido, o pedreiro Arnaldo de Menezes Ramos, 40 anos, foi fundamental para levar adiante o sonho de ser mãe. ''Se não fosse ele, eu tinha abandonado'', revelou Marinalva. Quando souberam que estavam grávidos, ambos choraram de felicidade.
Os cuidados nos primeiros meses de gravidez serão redobrados. Marinalva decidiu deixar de lado os afazeres como diarista para cuidar do bebê que está por vir. ''Como o médico explicou, é uma gravidez provocada. Então, tenho que me cuidar, repousando bastante, até meu corpo se adaptar'', disse Marinalva, sem esconder a ansiedade de comemorar o próximo Dia das Mães com o filho nos braços.

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