Rio, 09 (AE) - A Rocinha, a maior favela da América Latina, é o mais novo desafio do programa Favela-Bairro, desenvolvido pela prefeitura do Rio para urbanizar áreas onde vivem comunidades carentes. Alguns projetos já estão sendo desenvolvidos pelas equipes da Secretaria Municipal de Habitação e as licitações para as obras começarão nos próximos meses.
A prefeitura iniciou seu trabalho com a construção de um grande centro de esportes e lazer sobre o túnel Zuzu Angel. Outro projeto que já está sendo tocado é a transformação do prédio do falido hotel São Conrado Palace, em frente da favela, num centro social. A idéia é instalar ali creche, posto de saúde e centro de treinamento profissional, além de escola de informática. O hotel foi adquirido pela prefeitura há dois meses
por R$ 3 milhões.
"É totalmente possível urbanizar a Rocinha", garantiu o secretário municipal de Habitação, Sérgio Magalhães. "E há uma facilidade: a Estrada da Gávea corta a favela, como uma espinha dorsal, só temos de fazer ruas transversais". De acordo com a secretaria, vivem na comunidade 50 mil pessoas. A prefeitura ainda não orçou o custo das obras. BID - Antes de o governo municipal levar o Favela-Bairro à Rocinha, porém, serão iniciadas obras da segunda etapa do programa, cuja licitação foi lançada na semana passada. A nova parte prevê a urbanização de 24 favelas e 3 loteamentos, com investimento de US$ 300 milhões - US$ 180 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e US$ 120 milhões do município.
Entre as áreas beneficiadas estão o Morro dos Cabritos, na zona sul, e os morros do Juramento e do Dendê, na zona norte. As obras devem começar em três meses. Paralelamente, estão sendo iniciados projetos em quatro das maiores favelas da cidade: Jacarezinho, na zona norte, Rio das Pedras, Fazenda Coqueiro e Bairro Rolas, na zona oeste.
"Ao longo de muitos anos, as favelas foram consideradas lugares provisórios de moradia", afirmou Magalhães. "Mas sabemos que, em determinadas comunidades, há quatro gerações de famílias vivendo no mesmo lugar". A construção de conjuntos habitacionais e a mudança dos moradores para outros locais mostraram-se inadequadas. "De um lado, há a transferência dos problemas das favelas para os conjuntos", disse Magalhães. "Por outro, as favelas continuam crescendo". Infra-estrutura - Segundo dados da secretaria, um milhão de pessoas moram em morros. "A solução é levar às comunidades infra-estrutura de esgoto, limpeza, iluminação, escola e posto de saúde", disse. "Precisamos construir cidades, não casas, porque os recursos públicos devem ser usados no que só o governo pode fazer".
O Favela-Bairro já concluiu obras em 26 regiões. Outras 48 estão sofrendo intervenções. A construção de casas populares foi necessária em locais onde a urbanização é inviável. Embora reconheça qualidades no programa, o vereador Eliomar Coelho (PT)
ex-presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara e integrante do Fórum de Acompanhamento do Plano Diretor da Cidade
vê problemas no projeto.
"A integração entre a favela e a cidade só será possível se forem levados em conta também os problemas econômicos e institucionais". Para Coelho, deveriam ser postas em prática políticas geradoras de emprego. "Dessa forma, a prefeitura estaria dando uma opção ao tráfico de drogas", disse. "O desemprego é o problema mais sério nessas favelas".

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