Programa discute afetividade e sexo
Agência Folha
O uso da afetividade como porta de entrada para tratar de temas e questões ligadas à sexualidade é o eixo de um programa em fase de implantação na rede estadual de ensino mineira.
O Projeto de Educação Afetivo-Sexual resulta de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais e a Fundação Odebrecht e foi implantado, como projeto piloto, em 62 escolas em Belo Horizonte. Como os resultados foram positivos, está sendo ampliado para um total de 226.
Por resultados positivos, entende-se: mudança do comportamento dos adolescentes envolvidos na experiência, desenvolvimento de uma consciência crítica entre eles, melhora das relações internas na escola e desdobramento para reflexões sobre outras questões (violência, meio ambiente etc).
Nesse programa, a idéia de afetividade é tratada em um sentido amplo, ou seja, das emoções e dos sentimentos envolvidos nas relações humanas. Como partimos da afetividade, o adolescente toma consciência que a sexualidade envolve muitos aspectos da vida. Não nos limitamos a ensinar o jovem a usar camisinha ou a evitar a gravidez , diz Andréia Christina Marques Leal, coordenadora pedagógica da Escola Estadual Flávio dos Santos, em Belo Horizonte.
Na escola, foi criada uma disciplina para tratar especificamente do tema, chamada afetivo-sexual. A sexualidade é um tema transversal previsto nos Parâmetros Curriculares do MEC. Assim, o trabalho é em parceria com professores de outras disciplinas , diz. Participação A dinâmica também é diferente de uma aula convencional. Primeiro, porque os temas abordados são selecionados a partir dos interesses manifestados pelos alunos.
Segundo, porque a dinâmica das aulas estimula a participação dos alunos, tanto durante as atividades, quanto na produção de trabalhos em que eles possam expressar suas visões -documentários fotográficos, reportagens etc.
Essa estrutura e o fato de a afetividade ser o eixo possibilitam que o programa vá além dos limites das discussões sobre sexualidade. A ênfase recai sobre o aspecto relacional, discutimos quem é o adolescente, sua relação com o meio. É a base para o autoconhecimento. É por isso que se abre espaço para outros tipos de discussões, diz Sérgio Rafael do Carmo, coordenador do programa. Na escola Flávio dos Santos, o projeto se desdobrou em discussões sobre violência, por exemplo.





