Porto Alegre, 12 (AE) - Cerca de 1,6 mil funcionários já aderiram ao programa de demissões voluntárias aberto pela Ford como parte do acordo firmado com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo para evitar o corte de 2,8 mil empregados da montadora. O mecanismo, porém, será mantido até que o número de adesões alcance a quantidade de afastamentos projetada inicialmente, informou hoje o presidente da empresa no Brasil, Ivan Fonseca e Silva.
"Precisamos criar condições para um trabalho mais moderno na fábrica", explicou o presidente. De acordo com ele, ainda falta terceirizar atividades de suporte como segurança e restaurante, que já não fazem parte das estruturas atuais das montadoras. Além disso, os empregados ainda não são trabalhadores "multifuncionais", disse o executivo.
Segundo Fonseca e Silva, com a redução do IPI negociada com o governo federal para estimular o setor e também a diminuição de três pontos percentuais no ICMS cobrado pelo Estado de São Paulo as vendas deverão reagir já neste mês. "Não temos dados precisos, mas será muito melhor do que fevereiro", disse.
No mês passado, a produção anualizada da indústria automobilística brasileira despencou para 720 mil unidades. No ano passado, o volume total produzido foi de 1,55 milhão de unidades e a expectativa é que em março o total anualizado alcance pelo menos 1,15 a 1,2 milhão, que é a marca projetada para 1999.
Fonseca e Silva voltou a criticar o excesso de tributos sobre os automóveis. Mesmo com as reduções recentes, ele disse que a carga fiscal sobre os carros populares ainda está entre 24% e 25%. Ele comparou a situação com a da Argentina, onde os impostos sobre todos os produtos são de 16%.
Se o Brasil chegasse a esse nível, o presidente da Ford estima que a produção e as vendas poderiam aumentar em 400 mil unidades anuais no Brasil, com um acréscimo de 25% no número de trabalhadores no setor. Hoje a força de trabalho empregada pela indústria automobilística brasileira é da ordem de 150 mil pessoas.

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