Programa de crédito para ensino superior é criticado Agência Estado De Brasília O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Rodolfo Pinto da Luz, criticou ontem o programa de crédito do Ministério da Educação (MEC) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinado a melhorar a infra-estrutura das universidades. Lançado em 1997, o programa ainda não concedeu empréstimo a nenhuma universidade pública, apesar de já ter financiado projetos de 20 instituições particulares no valor de R$ 175 milhões. ‘‘A demora em atender as instituições públicas deixa claro que o programa não se ajusta às nossas necessidades’’, disse Pinto da Luz, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina. Outro problema, segundo ele, é que a ‘‘maioria’’ das 52 instituições federais de ensino superior não tem patrimônio fora de câmpus para comprovar capacidade de pagamento. Para o presidente da Andifes, caberia ao Ministério da Educação (MEC) garantir o repasse de recursos às universidades, para que pudessem contrair e pagar o empréstimo. O prazo de empréstimo é dez anos. A proposta não agradou ao ministro Paulo Renato Souza, pois constituiria um empréstimo do BNDES para o setor público. Para a diretora da Área de Desenvolvimento Social do BNDES, Beatriz Azeredo, é motivo de ‘‘frustração’’ o fato de não ter atendido nenhuma instituição pública. Segundo ela, as exigências de comprovação da capacidade de pagamento e de apresentação de um agente financeiro – práticas comuns na operação de uma linha de crédito – são entraves para as universidades públicas. A linha de crédito do BNDES para melhorias de infra-estrutura é de R$ 750 milhões, dos quais R$ 500 milhões se destinam às universidades particulares. Seis universidades federais e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) já tiveram seus projetos aprovados pelo MEC e dependem do aval do BNDES. ‘‘Não compreendemos por que o programa não avança’’, reclamou o reitor da Unesp, Antonio Manoel dos Santos Silva.