Programa de combate à pobreza
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de outubro de 2000
Fernando Dantas e Suely Caldas Agência Estado. Do Rio 
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) do governo federal estão desenvolvendo um programa que ataca a principal falha dos programas de combate à pobreza no Brasil: os recursos e benefícios não chegam às pessoas que mais necessitam deles. O economista Ricardo Paes de Barros, que lidera um grupo de pesquisa dentro do Ipea sobre pobreza e distribuição de renda, explica que um projeto piloto já está sendo implementado em vinte favelas cariocas, incluindo a Rocinha e o Complexo do Alemão. A idéia é simples: trata-se de classificar, dentro das comunidades pobres, o grau de pobreza de cada pessoa, além de outras características pessoais.
Com este sistema, é possível identificar, por exemplo, quem é realmente extremamente pobre, com renda insuficiente para suprir um nível mínimo de necessidades alimentícias. Estas pessoas às vezes não têm nem carteira de identidade, diz Paes de Barros, apontando a dificuldade de se fazer chegar os recursos e benefícios a elas em programas de formato tradicional.
Quando ficar pronto, o sistema desenvolvido pelo Ipea será um instrumento afiado para uso nas diversas frentes de política social do governo. Ele pode ser aplicado, por exemplo, no Projeto Alvorada, que é o IDH-14 ampliado para mais nove estados. O IDH-14 é o programa de combate à miséria lançado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em julho, e que visava originalmente beneficiar 31 milhões de pessoas em 14 Estados.
A coordenadora do projeto Alvorada é justamente Wanda Engel, que comanda a Seas. Dentro da sua secretaria, estão os programas assistenciais da Previdência Social, relativos a idosos, deficientes, erradicação do trabalho infantil e outros, que também podem ser beneficiados pelo sistema a ser criado pelo Ipea.


