Programa de combate a Aids do Brasil pode ser exportado
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2000
Agência Estado Do Rio 
O Banco Mundial (Bird) irá investir US$ 500 milhões nos próximos três anos na prevenção e no tratamento da Aids em 11 países africanos. O anúncio foi feito ontem pela coordenadora para a África do Bird, Debrework Zewdie. Atualmente, 36 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus no mundo, dos quais 25 milhões vivem na África Sub-Saariana.
Debrework adiantou ainda que outros US$ 100 milhões serão usados em países da América Latina e Caribe, onde 210 mil pessoas se infectaram durante este ano. Mesmo com todo esse volume de recursos, os governos dos países em desenvolvimento ainda nos pedem mais ajuda, disse Debrework, que participou ontem, no Rio, da abertura da terceira reunião do comitê executivo do Programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids).
O encontro, que termina hoje, reúne delegados de 22 países e irá tirar um documento com um plano de ação global de combate à doença nos países em desenvolvimento da Ásia, África e América Latina. Segundo o diretor executivo do Unaids, Peter Piot, a escolha do Brasil para sediar a reunião deve-se à experiência brasileira bem-sucedida na prevenção e no tratamento da doença.
Segundo ele, o modelo brasileiro poderá ser adotado por outros países em desenvolvimento. Em três anos, o governo federal reduziu em 72,5% o preço de medicamentos anti-retrovirais, usados no tratamento da doença, através da fabricação própria em laboratórios oficiais.
Entre 1997 e 1999, conseguimos economizar US$ 472 milhões somente com a redução das internações hospitalares e no tratamento das infecções oportunistas, disse o coordenador de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids do Ministério da Saúde, Paulo Roberto Teixeira. Em 1997, o custo do governo com paciente/ano era US$ 7,3 mil. Este ano, este valor caiu para US$ 4,7 mil. Apesar dos avanços, apenas 60% das gestantes infectadas têm acesso ao tratamento gratuito. A estimativa oficial é de que 540 mil brasileiros tenham o vírus, mas apenas 20% têm consciência disso.
Segundo Teixeira, o Brasil já está negociando com quatro países africanos um convênio de cooperação técnica e de combate à Aids, incluindo até a transferência de tecnologia e a exportação de medicamentos nacionais.


