Programa da Santa Casa do Rio ajuda fumante a deixar vício
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de julho de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 19 (AE) - Pelo menos 195 pessoas deixaram de fumar nos últimos três anos após buscarem ajuda no Programa de Combate à Dependência da Nicotina, desenvolvido pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Segundo a coordenadora do projeto, a psicóloga Analice Gigliotti, o número representa 30% dOs 650 pacientes que já passaram pelo tratamento. Cerca de 70% dos pacientes têm recaída. "Os números estão dentro dos padrões internacionais usados nesse trabalho de recuperação", explica a psicóloga.
Os resultados do programa serão apresentados durante o 1º Simpósio Internacional sobre Tabagismo, em agosto, no Rio. Oferecido à população carente do Estado, o tratamento é mantido pelos SUS e pela contribuição voluntária individual de R$ 15.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que há 30,7 milhões de fumantes no Brasil, dos quais 3 milhões são jovens entre 5 e 19 anos. "Os motivos que fazem uma criança a fumar são os mesmos que levam ao consumo de drogas: curiosidade e busca de identificação com o grupo", explica. Atualmente, 32,6% da população adulta fuma - 18,2 milhões são homens e 12,5 milhões, mulheres.
Tratamento- O programa desenvolvido pela Santa Casa dura quatro meses. Os pacientes são divididos em grupos de 6 a 12 pessoas, que se reúnem uma vez por semana. Segundo Analice, o tratamento consiste em quatro ações. "Primeiro, nós convencemos o grupo de que o cigarro é uma droga como outra qualquer e deve ser tratada como tal", afirma. Em seguida, o paciente é submetido à farmacoterapia - alguns usam adesivos de nicotina para controlar a abstinência. "Depois fazemos as reuniões em grupo que, ao contrário do método dos Alcóolicos Anônimos, são sempre acompanhadas por dois terapeutas", explica. A parte mais delicada do tratamento é a prevenção à recaída. "Tentamos descobrir situações de risco de cada paciente, para tentar evitá-las", diz.


