Programa cura 97% dos casos de câncer
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de dezembro de 1997
Agência Estado 
Rio de Janeiro
Arquivo FolhaInovaçãoCrianças com esquistossomose: Ourinhos adota novo método de análise, coletando o sangue das vítimasO Programa Viva Mulher, de combate ao câncer de colo de útero, criado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), revelou-se uma nova esperança para as portadoras da doença: dos casos diagnosticados precocemente por meio da campanha, 97% foram curados. O projeto foi implantado em cinco capitais brasileiras - Rio, Recife, Belém, Brasília e Curitiba - e atendeu, este ano, 40 mil mulheres entre 35 a 49 anos. As estimativas do INCA para 1997 apontam para o surgimento de 20 mil casos e 5,7 mil mortes. Este é o segundo tipo de câncer que mais mata no Brasil, perdendo apenas para o de mama.
A análise do perfil das mulheres que procuraram o programa mostra dados interessantes: das 40 mil medicadas, 5,9% fizeram o preventivo pela primeira vez por meio do programa. A maior proporção de mulheres que nunca havia feito o exame está em Belém: 10%. Brasília ficou com a menor taxa, 3,8 %. A maioria das mulheres que apresentava sintomas de câncer uterino tinha lesões de baixo ou alto grau da doença - estágios em que a cura é possível com baixo custo de tratamento e menores sequelas para as portadoras.
A equipe que trabalha na campanha verificou também que as mulheres deixam de fazer o preventivo por medo, barreiras religiosas e proibição pelo companheiro, além das dificuldades de acesso à rede de saúde. A recomendação médica é de que o exame seja realizado a partir dos 25 anos, anualmente, ou no início da vida sexual. O exame preventivo permite que uma lesão precursora do câncer seja detectada e tratada até 15 anos antes da doença se manifestar.
A meta do programa é realizar, no prazo de dois anos, 500 mil exames em mulheres com idade entre 35 a 49 anos. Após este prazo, a campanha deverá ser estendida para todo o país, atingindo um total de 12 milhões de mulheres nesta mesma faixa etária. O projeto nas cinco capitais brasileiras está sendo feito em parceria com o instituto canadense Cancer care Institute e Secretarias Municipais de Saúde.
EsquistossomoseA Secretaria de Saúde de Ourinhos - a 365 quilômetros de São Paulo - pretende divulgar até janeiro os resultados de uma experiência de laboratório que poderá mudar o diagnóstico da esquistossomose (schistosoma mansoni), cujo hospedeiro intermediário é o caramujo. Durante o mês de dezembro, médicos especialistas decidiram coletar sangue de aproximadamente seis mil pessoas, substituindo o tradicional método de recolhimento de fezes para detectar a doença, explicou o chefe da Divisão de Saúde Pública e Zoonose da cidade, José Migliacio. Se o método revelar eficiência, vamos adotá-lo na rede pública, afirmou Migliacio.
Ourinhos, com 89 mil habitantes, tem água classificada no padrão A da Organização Mundial de Saúde (OMS), mas ainda está ameaçada por três córregos poluídos. A cidade registrou, entre 1984 e 1996, um total de 737 casos de esquistossomose, que é transmitida pelo contato direto com a água contaminada.


