Programa contra exploração sexual recebe 1.300 denúncias em 3 anos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de dezembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 21 (AE) - Em três anos de existência, o Programa de Combate à Exploração Sexual, ligado ao Ministério da Justiça, recebeu 1.300 denúncias de abusos contra crianças e adolescentes
mas apenas 5% resultaram em cadeia para os denunciados. O levantamento é do SOS Criança Sexualmente Explorada, um serviço 0800 mantido pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), em convênio com o Ministério da Justiça.
Segundo o presidente da Abrapia, o pediatra Lauro Monteiro, o levantamento é subestimado porque se baseia, principalmente, em dados tomados no Rio e em São Paulo. "As denúncias do SOS são encaminhadas para os municípios de origem e cabe a eles investigarem se são verídicas ou não", afirma. "Apesar do serviço ser nacional, só Rio e São Paulo, basicamente, é que nos dão retorno sobre a apuração das denúncias." Para melhorar o serviço, a Abrapia e o Ministério da Justiça realizaram, no Rio, nos dois últimos dias um seminário de capacitação de monitores. Nessa primeira fase, foram capacitados 30 monitores, que cuidarão do serviço no Pará, Pernambuco, Distrito Federal, Santa Catarina e Rio. "Nossa idéia é que esses monitores acompanhem a apuração das denúncias nos municípios de origem", explica Monteiro.
O objetivo é capacitar 135 monitores até março para atuar nos 27 Estados brasileiros. A Abrapia ficará responsável pela coordenação nacional do trabalho de monitoramento e, em cada Estado, haverá uma entidade cadastrada no programa.
Hoje, segundo Monteiro, Rio e São Paulo são os Estados com o maior número de denúncias de exploração sexual de crianças no País, com 269 registros de abusos em cada um. As estatísticas são de setembro, último mês analisado pela Abrapia.
O terceiro Estado em número de casos é a Bahia, com 107 registros, seguida pelo Distrito Federal (80), Minas Gerais (78)
Pernambuco (68), Ceará (64), Rio Grande do Sul (46), Paraná (45) e Rio Grande do Norte (41). O presidente da Abrapia explica que 60% das denúncias atingem meninas entre 14 e 18 anos e que em 12% há vínculo familiar ou afetivo entre a vítimas e o aliciador, pelo menos 60% das 1.249.


