São Paulo, 17 (AE) - Qualquer pessoa poderá adotar um adulto que não sabe ler e escrever. Para isso, bastará pagar R$ 17 mensais com o cartão de crédito, valor correspondente à metade do custo do curso oferecido pelo Programa Alfabetização Solidária. A participação da sociedade civil, que dividirá o custo do aluno com o Ministério da Educação (MEC), é uma das novidades da versão do programa que, a partir de julho, vai funcionar no Rio e em São Paulo. O Alfabetização Solidária já atendeu quase 500 mil pessoas nas cidades mais pobres do País.
No Nordeste, o MEC paga R$ 17,00 e empresas parceiras financiam o resto, adotando municípios. Regina Esteves, coordenadora nacional do programa, espera que nas capitais o programa seja pago integralmente pela classe média. Para incentivar a adoção, que poderá beneficiar um aluno ou uma turma
serão feitas campanhas publicitárias.
Na quarta-feira (19), a primeira-dama Ruth Cardoso, reúne-se com representantes da Associação Nacional de Cartões de crédito para definir quais empresas de cartões poderão participar do programa.
As empresas serão estimuladas a continuar investindo no Nordeste, onde as taxas de analfabetismo são maiores. "Precisamos reduzir a média nacional", explica Regina. São Paulo, por exemplo, concentra 2,68% dos analfabetos do País. Embora esse porcentual represente um grande número de pessoas, pouco influencia na média nacional.
Inicialmente, serão alfabetizadas 20 mil pessoas - 10 mil em cada cidade. Regina explica que o objetivo é ampliar o raio de atuação até atender todos os analfabetos do Rio (cerca de 300 mil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e de São Paulo (400 mil, de acordo com a Fundação Seade). Se der certo, o programa será levado para outras capitais.
Antes de trazer o programa para as duas maiores cidades do País, a equipe do alfabetização mapeou as atividades das organizações não governamentais que trabalham com educação de jovens e adultos e as pesquisas sobre o assunto poduzidas nas universidades. "Nosso maior desafio é a mobilização das pessoas", diz ela. "É muito mais difícil sensibilizar um jovem em São Paulo e no Rio do que no Nordeste", compara.
Para facilitar essa articulação, o programa terá coordenadores culturais encarregados de aliar as atividades em classe a outros tipo de eventos, como shows, peças de teatro e visitas a museus. Essa articulação também será feita com apoio de organizações não governamentais. Às universidades caberá mapear os locais com maior concentração de analfabetos, além de fornecer coordenadores e capacitar os alfabetizadores das comunidades. É nesses bairros, que o programa deverá gerar pelo menos 800 empregos.
Amanhã (18), representantes da coordenação nacional do projeto e de 34 universidades paulistas reúnem-se para adaptar o programa à realidade local. Reunião semelhante ocorreu hoje no Rio. O impasse é a continuidade dos estudos dos concluintes dos módulos de alfabetização. "Eles devem ser encaminhados para programas alternativos de suplência; caso contrário poderemos reforçar as redes públicas locais", diz Regina.
Serviço: Maiores informações sobre adoção: 0800 610202

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