Programa busca o fim do câncer
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de outubro de 2000
Érika Pelegrino De Londrina 
O câncer de pele é o único tipo de câncer que se conhece as causas e as vítimas em potencial. Estas informações são suficientes para fazer com que a doença seja extinta. Esta é a finalidade do Programa Nacional de Prevenção de Câncer de Pele implantado em novembro do ano passado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.
O coordenador do programa, o dermatologista de São Paulo, Marcus Maia esteve em Londrina para falar sobre o tema no 8º Encontro de Educação Médica Continuada. Na atual fase da campanha a quantidade de casos de câncer aumentou muito porque a doença passou a ser diagnosticada.
Em mais ou menos 10 anos, segundo Maia, deve-se estabilizar o número de casos para, em seguida, registrar-se uma tendência de queda na incidência e mortalidade. Hoje nos Estados Unidos são registrados 1,2 milhão de casos anuais, com 100 mil mortes por ano. No Brasil surgem todos os anos 100 mil novos casos com mil mortes.
Na Austrália e Europa do Norte, de acordo com o médico, a tendência de queda no número de casos já se estabeleceu. Maia explica que é possível fazer a prevenção primária avisando a população de risco sobre a doença. Estão no grupo de risco aqueles que têm antecedentes familiares de câncer; que já tiveram queimaduras solar; que têm pintas ou sardas no rosto e ombros; que possuem pele clara e com incapacidade para bronzear.
A proteção solar é a melhor forma de prevenção. Evitar a exposição ao sol em horários não recomendáveis; utilizar chapéu e camiseta; buscar locais com sombra para fazer atividades recreativas ao ar livre são as melhores formas de evitar o câncer de pele.
O filtro solar também é recomendado, mas com algumas ressalvas. Maia explica
que este protetor tem algumas desvantagens: as pessoas esquecem de passar em algumas áreas do corpo; ele sai com água e suor; perde o potencial depois de determinado tempo e é caro.
Outra desvantagem, citada pelo médico, é a exposição solar mais tempo que o recomendável ao usar o filtro solar. Sem o filtro a pessoa depois de um tempo fica vermelha e sente os efeitos do sol, o que funciona como um alerta; já com o filtro este alerta é eliminado.
Maia explica que no começo do século não se falava em câncer de pele. Ele atribui o surgimento da doença a uma mudança de comportamento. As pessoas passaram a exaltar o bronzeamento como sinônimo de beleza e saúde. O câncer de pele só existe por causa desta exaltação que leva a uma exposição excessiva ao Sol, afirma. É preciso mudar esta mentalidade e criar conceitos de proteção solar.


