Rio- Aos sete anos, a menina R. tem uma história de vida triste. Vítima de abuso sexual pelo pai e negligenciada pela mãe, ela acabou num abrigo público. Há sete meses, porém, a garota voltou a sorrir. Incluída num projeto da Prefeitura do Rio, R. está vivendo temporariamente com outra família, até que seu verdadeiro lar seja reestruturado.
Segundo pesquisa da associação Terra dos Homens, 77% das crianças que estão em abrigos do Rio ainda têm vínculo familiar, como R.. Apesar disso, a taxa de reintegração delas às suas famílias é baixa, porque, em muitos dos casos, o contato com os pais não é mantido.
Supervisionado pela Terra dos Homens, o programa ''Família Acolhedora'', no qual a garota foi integrada depois de ser indicada pelo Conselho Tutelar, busca justamente preservar os laços da criança com a família biológica, que é submetida a tratamento psicológico. Os pais aprendem que é importante manter o diálogo com as crianças e evitar o uso da força e recebem ajuda financeira. Em 95% dos casos, eles recebem os filhos de volta.
''O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que a permanência no abrigo tem de ser temporária'', explica Cláudia Guimarães, que faz parte do grupo gestor do projeto. ''As famílias acolhedoras recebem a guarda provisória das crianças enquanto a família biológica repensa sua forma de agir e elas possam voltar para casa.''

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