Paulo Pegoraro
De Cascavel
Adultos e crianças de um dos principais acampamentos de sem-terra do Oeste do Estado começam a ser atendidos por programa de alfabetização, resultante de parceria entre entidades de trabalhadores e pequenos proprietários rurais. Além de aprender a ler e escrever, os sem-terra também são conscientizados de sua condição social e a partir dela as formas de exercício da cidadania, além de estimulados à permanência na terra.
Os alfabetizandos são do Acampamento Dorcelina Folador – nome da prefeita de Novo Mundo (MS) e defensora dos sem-terra assassinada no ano passado. São aproximadamente mil famílias, que ocuparam a Fazenda Refopas, há 1 ano, e têm como vizinhas famílias que tiveram terras alagadas pela barragem de hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, e que foram reassentadas pela Copel em Cascavel e outros municípios.
Os reassentados têm vínculo com a Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi), que há dois anos desenvolve o Projeto de Educação para Atingidos por Barragens (Peaba). A Crabi é apoiada pela Associação Projeto Educação dos Trabalhadores Rurais Volantes (Apeart), de Londrina, na aplicação de currículos apropriados para o campo, e também defende a reforma agrária, por isso sua atuação no acampamento.
A alfabetização, inicialmente para cem adultos e crianças, tem apoio ainda da Secretaria Municipal de Educação e da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. A secretaria desenvolve há vários anos um programa com adultos, e, no caso da universidade, ela tem experiência de participação no programa federal Alfabetização Solidária, com envio de turmas de acadêmicos e professores para atuar em comunidades pobres do Nordeste e treinando alfabetizadores daquela região.
Segundo um dos monitores do projeto, Elcir Glicério Zen, entre as propostas destaca-se ‘‘a alfabetização a partir da realidade vivenciada pelos alunos’’. A coordenadora local do Peaba, Margaret Machado, acrescenta que a metodologia será ‘‘praticamente a mesma’’ utilizada nos reassentamentos liderados pela Crabi, mas ‘‘respeitando as características e a realidade local’’ - as pessoas não são ainda proprietárias formais de terra e por isso enfrentam grande dificuldade para sobreviver.

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