Curitiba - O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) investiga o caso de um médico de Ponta Grossa acusado pela mãe de um paciente de tê-la ofendido após o atendimento do filho pequeno. A situação aconteceu no Hospital da Criança Prefeito João Vargas de Oliveira, no último domingo. O pediatra Jaime Figueira Junior utilizou o papel do atestado médico do paciente para desabafar que estava ''de saco cheio'' de perder tempo com burocracia em dia de plantão lotado.
A mãe do paciente ficou ofendida com o texto e levou a denúncia à imprensa. Ela disse, ainda, que o médico teria usado palavras de baixo calão na frente do filho.
Figueira Junior alega que não tinha intenção de ofender, apenas de protestar contra a obrigatoriedade de dar atestado médico para crianças tão pequenas. ''O relacionamento com a mãe daquele paciente tinha sido ótimo. Ela até concordou comigo que era desnecessário tudo aquilo. Se eu tivesse só reclamado falando não teria problema. Mas fiquei nervoso e me expressei escrevendo. Não tenho vergonha de pedir desculpa'', disse.
A diretoria do hospital disse que irá apurar a situação e tomar providências. O pediatra está afastado do trabalho por motivos de saúde, mas não recebeu notificação em relação ao episódio.
O CRM-PR também não recebeu denúncia formal, mas acionou a delegacia regional de Ponta Grossa. O presidente da entidade, Miguel Ibraim Abboud Hanna Sobrinho, disse que é cedo para afirmar se Figueira Junior cometeu ou não infração. ''O médico vai precisar explicar os porquês e vamos conhecer até o ambiente de trabalho dele para entender as razões desse desabafo. Da forma como chegou até nós, podemos dizer que essa não deve ser a postura de um profissional''.
O novo código de ética médica deixa claro como deve ser a relação entre profissional e paciente. ''Ele pede não só o respeito, mas também a dignidade, civilidade e educação. No sentido de dar tempo para a pessoa entender a consulta, a receita, as orientações e até o atestado médico - formas de comunicação com o paciente que devem ser respeitadas''. A família do paciente não foi localizada para comentar o assunto.

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