Profissionais se capacitam para orientar doentes
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de setembro de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Profissionais de saúde que trabalham diretamente com pessoas portadoras do vírus HIV estão recebendo capacitação para orientar e ajudar os pacientes no tratamento. A oficina, promovida por várias ONGs e que termina hoje em Curitiba, também tem como objetivo motivar a criação de grupos de adesão nos locais onde os pacientes recebem ajuda.
A intenção é mostrar que os grupos, formados por vários soropositivos, podem estimular os pacientes a aceitar a doença e também o tratamento. No Paraná, atualmente existem 12 mil pessoas portadoras do vírus. Contudo, segundo o Grupo Dignidade, que trabalha com a prevenção da doença, na prática esse número é cerca de cinco vezes maior.
Segundo a auxiliar de Enfermagem de uma unidade de saúde de Curitiba, Roseli Barbosa, que está participando da oficina, os soropositivos vivem dois momentos complicados quando descobrem a doença: primeiro não aceitam e na fase do remédio, que vem a confirmação prática, entram em depressão. Por isso, Roseli defende que o profissional tem que ter uma alta qualificação para saber lidar com essas situações. ''Antes de tudo o profissional tem que superar seus próprios preconceitos. Só assim ele vai conseguir ganhar a confiança do paciente e ajudá-lo. E ele tem que estar preparado para passar segurança para o paciente'', explicou.
Além da depressão, os portadores do vírus da Aids muitas vezes recusam os medicamentos por não aceitarem a doença ou por causa dos efeitos colaterais. ''Quem trabalha diretamente com os doentes precisa saber esclarecer todas as dúvidas e explicar todas as consequências. E a troca de experiências entre eles também ajuda muito'', afirma Roseli. Um paciente com o vírus da Aids pode chegar a ter que tomar até 20 comprimidos por dia, caso se encontre em uma fase mais crítica.


