Profissionais protestam contra Lei do Ato Médico
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quarta-feira, 15 de setembro de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Uma faixa preta no jaleco branco foi uma das marcas do protesto realizado ontem em Londrina contra o projeto de lei que visa regulamentar a profissão do médico e que tramita na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. As categorias das demais áreas de saúde se posicionam contra o projeto, por entender que ele representa interesses corporativos dos médicos e interfere na autonomia das demais carreiras. Ontem, no ''Dia Nacional de Mobilização Contra o Projeto de Lei do Ato Médico'', os mais de 150 manifestantes coletaram assinaturas no Calçadão de Londrina, e em Curitiba, que serão remetidas ao Senado Federal.
O projeto é de autoria do ex-senador Geraldo Althoff (PFL/SC) e as críticas recaem, principalmente, sobre dois aspectos: o que estabelece que apenas médicos poderiam autorizar o acesso a serviços de saúde; e a hierarquização entre a medicina e as demais carreiras afins, reservando apenas aos médicos os cargos de chefia e coordenação de unidades de saúde.
O delegado regional do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 8 Região (Crefiso 8), Ruy Moreira da Costa Filho, destacou que a preocupação é porque o projeto reduz a autonomia dos demais profissionais da área de saúde e os subordinam aos médicos. O fisioterapeuta apontou que os conselhos federais de todas as profissiões afetadas estão tomando medidas. A coleta de assinaturas também ocorreu ontem em várias cidades e capitais brasileiras.
Fisioterapeutas, biomédicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, profissionais de serviço social, entre outros, teriam, conforme estabelece o projeto, que recorrer aos médicos antes de tomar decisões sobre o melhor tratamento para seus pacientes.
No segundo ano do curso de enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Francisco Figueiredo Neto, 19 anos, reclamou que na tentativa de regulamentar a profissão do médico, o projeto interfere negativamente em todas as demais áreas da saúde. ''Pelo projeto, o médico assume todo o gerenciamento da assistência à saúde e o profissional de enfermeiro passaria a ser um auxiliar de enfermagem'', argumentou.
O estudante do 3º ano do curso de fisioterapia da Unifil, Ivan Teruaki Ivanaga, 23 anos, observou que o projeto reduz a autonomia e limita a atuação profissional junto ao paciente. ''O médico não recebe a mesma capacitação para cumprir a mesma função de um fisioterapeuta'', comentou.
Distoando da manifestação, o coordenador do Centro Acadêmico de Medicina na UEL, Geraldo Elisson Sugeta, distribuiu panfletos protestando contra a mobilização feita no Hospital Universitário (HU) por alunos contrários ao projeto de lei. Segundo a nota, a mobilização interna teria ''comprometido não só as relações de trabalho mas também a própria atenção à sa© úde prestada pela instituição''. A fisioterapeuta e professora da UEL, Roberta Mattos, afirmou que a mobilização foi feita pelos alunos e que, em nenhum momento, a intenção foi interferir no atendimento dos médicos ou prejudicar os serviços prestados aos pacientes.


