Profissionais do riso
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Londrina - Sentado atrás de uma mesa recheada de papéis, usando óculos para leitura, José Oscar Espínola, de 55 anos, recebe a equipe de forma convidativa, representada por um largo sorriso. Nas paredes do pequeno escritório, está a prova de que o paraguaio, nascido em San Juan Nepomuceno, têm se dedicado à profissão há muitos anos, especificamente há quatro décadas.
Ele sai da sala e volta com uma pequena bolsa de maquiagem. Passa uma pasta branca em todo o rosto, pinta o nariz e sobrancelha de preto e usa outra pasta para colorir. O toque final fica por conta do nariz, feito por ele mesmo com a ponta plástica de uma vassoura.
Ele olha no espelho e pronto. A partir daquele momento, se transforma no palhaço Xupetim, um dos mais premiados no Brasil, com participações em novelas globais, picadeiros internacionais e em grande parte do território nacional.
Xupetim é um dos personagens que representam o Dia do Palhaço, comemorado hoje. Apesar da data passar em branco para muitas pessoas que têm as lembranças do circo e da figura do palhaço esquecidas ao longo dos anos, a magia dessa profissão jamais se perdeu no tempo.
''Acredito que tudo tem uma reciclagem. A valorização do artista hoje acontece principalmente pelas escolas de circo com cunho social, promovendo oportunidades para as crianças e jovens e transmitindo as práticas circenses. Isso também é circo. Mas em relação ao circo de lona, de fato, está cada vez mais raro em nossa cidade por não existir logística. Hoje, não tem terreno, espaço'', observa Xupetim, que escolheu Londrina para morar há 12 anos.
Convicto de que será palhaço até quando suas pernas aguentarem, Xupetim relembra os tempos de seminarista na cidade natal, onde já divertia os amigos pela personalidade dotada de bom humor. ''Um dia, o circo foi fazer uma apresentação no seminário e um palhaço me disse que eu levava jeito. Não teve jeito. Fugi com a trupe toda sem avisar minha família. Comecei a vender balas durante o espetáculo e, dois meses depois, estava no picadeiro'', diz, recordando o ano de 1972.
Durante as andanças com o circo, Xupetim visitou Londrina por diversas vezes, e em uma dessas passagens resolveu ficar. ''Fui até a Folha de Londrina e consegui patrocínio para dar continuidade ao meu trabalho'', conta ele, que ganhou o prêmio Rei dos Palhaços, um dos mais importantes da categoria, em 1986. ''Fui de uma geração de palhaços que trouxe uma nova caraterística ao circo, com um figurino diferenciado, semelhante ao de bailarinos''.
No ano 2000, Xupetim passou do picadeiro para festas infantis, animando os convidados. No mesmo ano, fundou o Blo Buffet, comandado por ele até hoje. Em muitos momentos, também atua em hospitais, visitando e alegrando os pacientes. ''Eu vejo alegria quando maquio meu rosto. Crio ferramentas divertidas com minha caracterização e, por isso, meu trabalho é minha terapia. Quando eu não me transformo em Xupetim, sinto um vazio'', diz.
Mas dominar a arte do sorriso não é para qualquer um. Fazer das palhaçadas um trabalho encarado com seriedade exige treino e uma sensibilidade aguçada a ponto de perceber na plateia qualquer movimento ou ação que possa arrancar gargalhadas de todo o público. Além disso, é preciso conhecimento em todas as técnicas.
E para quem não perde a oportunidade de tornar os momentos em pura alegria e diversão, fazer o público rir é a satisfação maior. Afinal de contas, essa é a grande magia desses profissionais do riso. ''No Dia do Palhaço, queria muito que as pessoas lembrassem que não é legal chamar os políticos e corruptos de palhaços, porque nós fazemos o bem e provocamos o riso. Não tem nada a ver com eles. É só alegria'', ressalta.


