Profissionais desconheciam a endometriose
Durante mais de 15 anos, a fisioterapeuta Claudiane Pedro Rodrigues, de 32 anos, sofreu com fortes dores antes e durante a menstruação. E nem imaginava que a causa disso poderia ser a endometriose. Da mesma maneira que a professora universitária Fernanda Simões de Almeida, de 32 anos, que por oito anos tentou engravidar sem sucesso. O diagnóstico de endometriose para essas mulheres, seguido do tratamento, foi essencial para mudanças na qualidade de vida.
Claudiane, por exemplo, perdeu muitas aulas na época da faculdade por causa das dores, e chegou a desconfiar que tinha a doença depois de cursar a disciplina de ginecologia e obstetrícia. ''Mas os médicos tratavam como cólica, o que eu ia fazer?''.
Em algumas ocasiões, ela teve que ser levada ao hospital para ser medicada. ''Era uma dor que paralisava minhas pernas e nos últimos meses também tinha febre, vômito e hemorragia. Antes de ficar menstruada eu ficava naquela tensão'', conta a fisioterapeuta, que já chegou a tomar medicamentos derivados de morfina contra a dor.
Já Fernanda também sofria com dores, mas foi só depois de passar anos tentando engravidar que desconfiou que havia alguma coisa errada. Ela conta que, depois de seis anos sem usar contraceptivos, procurou especialistas em reprodução humana. ''Fiz dezenas de exames, e nenhum deles nunca levantou a hipótese de endometriose. Em dois anos, cheguei a fazer duas inseminações, gastei dinheiro, tomei hormônios e medicamentos desnecessários'', lembra.
Só no ano passado as duas tiveram a doença diagnosticada e fizeram a cirurgia. Fernanda engravidou um mês depois. ''Nem passava pela cabeça que pudesse ser como foi, que eu pudesse engravidar tão fácil'', conta. Já Claudiane está aliviada sem as dores: ''Aconselho todas as mulheres e procurarem o médico e fazer o tratamento. O médico me disse que se eu demorasse mais dois anos corria o risco de ficar infértil''. (C.P.)





