A medicina ortomolecular vem ganhando cada vez mais espaço, tanto pelo aumento do número de médicos que atuam na área, quanto pelos resultados positivos em tratamentos. No entanto, é preciso ficar atento para práticas indevidas, como diagnósticos errados e comercialização de produtos no 'consultório'. Quem faz o alerta são profissionais de Londrina. ''Ortomolecular é uma prática médica e só um médico pode fazer diagnóstico, pedir exames e prescrever medicação'', alerta o endocrinologista Leonardo Higashi, que exerce a prática de ortomolecular.
Ele o o pai, o médico Tsutomu Higashi, um dos pioneiros da medicina ortomolecular no Paraná e no Brasil, explicam que a área não é uma especialidade, mas é reconhecida como prática médica. Em 1998, ela foi reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), mas com algumas restrições, como a impossibilidade de fazer o exame do fio de cabelo. ''Os médicos conseguiram reverter essas restrições na Justiça, através de uma liminar, porque não havia cunho científico para proibir isso'', aponta Tsutomu.
Em fevereiro deste ano, foi publicada no Diário Oficial da União a resolução CFM nº 1.938/2010, estabelecendo normas para regulamentar o diagnóstico e procedimentos terapêuticos da prática. ''O próximo passo é que seja exigida uma habilitação para exercer a prática'', afirma Leonardo. Hoje, segundo ele, o curso de pós-graduação da Associação Brasileira de Oxidologia (AMBO) exige que o aluno apresente monografia, depois de dois anos de curso, e faça uma prova de habilitação. ''E, só médicos podem participar'', ressalta. Mas outros cursos oferecem vagas até para profissionais que não são da área de saúde.
O risco de se consultar com profissionais que não são médicos, segundo eles, é principalmente de não ser feito o diagnóstico de alguma patologia séria ou de ser feito um diagnóstico errado.
Para se proteger, são recomendados alguns cuidados: ''Primeiro é preciso saber se o profissional é mesmo médico, segundo se participa de alguma sociedade e se tem experiência na área. Outro indicativo é se ele tem alguma especialidade, pois a maioria dos bons profissionais fez uma especialidade antes. E outra coisa é saber referências de outros pacientes'', aponta Leonardo.
Outro dos indicativos de um profissional ético, ressaltam, é que a consulta não esteja vinculada à venda de medicamento. ''Um médico não pode vender remédio nunca. Ele prescreve a receita e o paciente compra ou manda manipular em farmácia'', afirma Leonardo.
O médico clínico Alair Berbert, também de Londrina, que trabalha com homeopatia e ortomolecular, afirma que os resultados positivos trazem segurança no uso de tratamento ortomolecular. ''É uma prática que visa a qualidade de vida. A própria definição do nome ('orto' significa correta) mostra isso - esse tipo de tratamento visa corrigir erros de moléculas, corrigir erros de reações bioquímicas, e fazer com que o organismo como um todo funcione bem. E isso é feito com reeducação nutricional, suplementação e atividade física'', diz.

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