Profissionais defendem legislação mais rigorosa
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Enquanto milhares de pessoas de todo o mundo estão reunidas na Dinamarca para a 15 Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 15), discutindo ações que possam diminuir os riscos do aquecimento global, um grupo de engenheiros civis está em Curitiba para levantar alternativas aos problemas já existentes, ocasionados pelas severas alterações climáticas. Os profissionais participam até amanhã do 1º Seminário Brasileiro Sobre Catástrofes Naturais e Antropogênicas e do 1º Seminário Brasileiro de Engenharia Emergencial, promovidos pela Associação Brasileira de Engenheiros Civis (Abenc).
O assunto é bastante atual, após estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo sofrerem com ações do clima. O presidente da Abenc, Ney Perracini de Azevedo, diz que os membros da associação defendem cidades mais preparadas para enfrentar as ações do clima. ''Falta uma legislação rigorosa, que não permita construir próximo de encostas. Muitas vezes a administração pública é negligente. Os políticos querem fazer obras que apareçam. Por isso, o orçamento para esta área é reduzido'', reclama.
Dentro das obrigações dos municípios, Azevedo aponta a importância do mapeamento periódico das áreas de risco. ''A engenharia tem os instrumentos necessários para fazer drenagens e proteção de encostas. Reverter a situação de algumas cidades é possível, mas difícil. O ideal seria que essas técnicas fossem feitas na hora da projeção dos municípios'', aponta.
Radares Passado um ano da enchente que destruir parte de cidades de Santa Catarina, os números ainda impressionam. Em 48 horas, choveu em Blumenau o equivalente a 1.508 mililitros (mm) de água, sendo que a média para o mesmo período era de 450 mm. Foram três mil pontos de deslizamentos e 135 mortos. Mesmo com um passado que apontava a possibilidade de haver uma grande enchente, os municípios não estavam preparados para lidar com uma situação como esta.
A recuperação de pontes e limpeza de alguns rios já foram feitas. Agora o Estado investe na melhoria de radares meteorológicos. Técnicos japoneses trabalham no local para estudar a abertura de novos canais nos rios, com o intuito de desviar a água em excesso. A previsão é que o projeto fique pronto em 2011.
Se de um lado ações foram realizadas para evitar futuras catástrofes, outras nadam em sentido contrário. Acaba de ser aprovado o Código Ambiental de Santa Catarina, que autoriza a construção de casas com a distância mínima de cinco metros da margem dos rios. O código florestal defende que sejam 30 metros.
Para o morador que prefere contribuir para minimizar as catástrofes climáticas na própria cidade, o presidente da Associação Regional de Engenheiros e Arquitetos de Itajaí (Area/IT), Luís Fernando Pedroso Sales, fornece algumas dicas. O primeiro passo é consultar um profissional de engenharia antes de construir. Ele poderá informar pequenas dicas que contribuam para evitar futuros danos.
''Um grande problema é lançar água sobre encostas. O material descartado de uma pia, por exemplo, cai ao lado da casa e satura o solo, que perde resistência. Quando vem uma forte chuva, desmorona'', alerta. Outro ponto é evitar o desmatamento. Isso prejudica a forma com que a água desce nas encostas e pode provocar erosão.


