Profissionais da saúde devem garantir integridade do idoso
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domingo, 08 de junho de 2008
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Tratar a doença, mas também o doente. Cuidar do aspecto biológico, sem esquecer as repercussões que a patologia traz para a vida do paciente. Este é o perfil que será cada vez mais exigido do profissional da saúde. A opinião é do geriatra Marcos Cabrera, de Londrina, que apresentou o tema na palestra ''Processo do Envelhecimento e as Correlações com as Doenças Crônicas'', durante a 6 Semana da Saúde da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina. O evento, realizado na última semana, reuniu profissionais, alunos e docentes dos cursos de saúde para discutir aspectos do envelhecimento.
Tempo é fator determinante para o aparecimento de doenças relacionadas ao envelhecimento. ''Quanto mais se vive, maiores as chances de aparecerem doenças como câncer, Alzheimer e osteoartrose, por exemplo'', afirma o médico. Ele lembra que, com o envelhecimento da população, aumenta cada vez mais a preocupação com as doenças crônicas e as repercussões sociais e para o sistema de saúde.
Por isso, muito além de tratar só a doença, é preciso que o profissional de saúde amplie o olhar, para enxergar o idoso. ''O profissional precisa desfocar um pouco o objetivo do tratamento. Muitas vezes, para o idoso, o objetivo não é curar, mas garantir uma vida digna, apesar da doença'', ressalta.
O atual modelo de medicina curativa considera o biológico, considera que a doença causa uma lesão que é preciso ser tratada. Mas, a doença crônica, alerta Cabrera, apresenta outros aspectos que devem ser considerados: ''a lesão, que é o defeito bioquímico, leva a uma incapacidade, que leva a outra coisa que é a desvantagem. O idoso deixa de ter um papel social importante. Muitas vezes pode-se fazer quase nada para essa lesão, mas muito pela incapacidade''.
Ele toma como exemplo a osteoartrose, processo degenerativo de desgaste da cartilagem presente nas articulações, como joelho, tornozelo e quadril. A doença começa apresentando dores, mas pode chegar à dificuldade ou impossibilidade de andar. ''Se é um idoso que trabalha vendendo sorvete no lago Igapó, não conseguir mais andar vai impedí-lo de exercer seu papel social. O que o profissional de saúde pode fazer é ter o olhar para esse lado, orientando por exemplo para outras opções de exercer sua atividade, como usar um carrinho, uma bicicleta, ou ficar parado. O que ele precisa é acolher esse paciente'', avalia. Tudo isso, claro, sem esquecer a fase pré doença, que é quando se previnem as patologias crônicas. ''Se o profissional tiver condição de olhar para tudo isso, para a prevenção e depois para a incapacidade, isso é promoção da saúde'', afirma.


