Londrina - Responsável pelo atendimento psicológico no Sest/Senat em Londrina, a psicóloga clínica Naiara Costa confirma o aumento do uso e da variedade de substâncias psicoativas entre caminhoneiros, "extrapolando o até então conhecido ‘rebite’ (anfetaminas)". A motivação desta realidade, segundo ela, é complexa. "Envolve uma relação entre as características pessoais, culturais e as demandas profissionais que interferem na procura pelos psicoativos. A profissão do motorista certamente envolve desgaste físico e psicológico. No entanto, muitos trazem em sua história de vida habilidades comportamentais que permitem a vivência destas questões sob um ponto de vista mais consciente", explica.
Sobre outros comportamentos arriscados, como dirigir com sono e abusar da velocidade, ela lembra que são parte dos chamados fatores de risco para a ocorrência de acidentes. "Observo no contexto clínico que o ‘jeitinho brasileiro’ na flexibilidade das regras e leis do trânsito e do transporte de carga, associado ao excesso de confiança, comumente está relacionados a acidentes previsíveis. Além disso, muitos motoristas apresentam condições emocionais de irritabilidade, estresse e quadros de ansiedade que interferem na qualidade de vida e na direção segura, mas só são tratados após prejuízos significativos advindos de experiências de risco à vida", alerta.
Naiara lembra que o comportamento exibido no trânsito não é exclusivo deste contexto, mas remete a comportamentos semelhantes que ocorrem em outras situações. "O condutor que excede o limite de velocidade, que realiza ultrapassagens proibidas ou dirige alcoolizado, por exemplo, possivelmente também não respeita outros limites sociais para a boa convivência", diz, acrescentando que alterações eficazes do comportamento do condutor precisam envolver propostas educativas para a vida como um todo. "Tolerância, prudência, respeito e limites são valores para o exercício da vida, seja no trânsito ou fora dele."
Admite, ainda, que a rotina destes profissionais são janelas para as doenças que permeiam o sedentarismo e o estresse. "Por isto há uma preocupação das entidades do transporte em disponibilizar e estimular o acesso à prevenção e intervenção", comenta, lembrando que nas unidades Sest/Senat distribuídas por todo o País é possível realizar tratamento psicológico, nutricional e de fisioterapia, entre outros, inclusive quando o profissional está em trânsito. (C.A.)

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