Curitiba- O governo do Estado ainda não resolveu, por completo, o impasse sobre o reajuste dos professores do ensino básico (leia matéria na página de Política) e terá que enfrentar outro desafio: discutir a política salarial dos docentes do ensino superior. Professores das universidades estaduais se organizaram em caravanas até Curitiba, onde fizeram, ontem, uma manifestação em frente ao Palácio Iguaçu, para reivindicar a recomposição das perdas salariais que, segundo eles, chegam a 62%.
Uma comissão de professores foi recebida pelo secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, que se comprometeu, apenas, em agendar uma nova conversa, desta vez, com a presença do secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, que ontem estava em viagem. Quintana, segundo sua assessoria de imprensa, disse que o governo precisaria avaliar o impacto do reajuste concedido aos professores da rede estadual de ensino na folha de pagamento. Os primeiros salários com reajuste previsto no plano de cargos e salários deveriam ter sido pagos ontem aos educadores do ensino básico.
A reunião ficou marcada para a manhã de hoje e devem participar deputados da Comissão de Educação na Assembléia Legislativa. A comissão de professores pediu a presença de Quintana para servir de interlocutor das negociações.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino de Maringá (Sinteemar), Ana Estela Codato Silva, disse que os professores estão dispostos a negociar a reposição das perdas, mesmo que o reajuste não atinja, de uma vez, a totalidade do índice (62%). Ela garantiu que não é intenção da categoria fazer greve, mas lembrou que o último reajuste (13,55%) para docentes e técnicos de nível superior, veio depois de uma paralisação de seis meses (setembro de 2001 a março de 2002).
Também está sendo reivindicada a implantação de um novo plano de cargos e salários para os servidores técnico-administrativos. O reajuste dos vencimentos dos professores, acrescentou Ana Estela, também passa por uma revisão no plano de carreira dos docentes, implantado em 1997, pela Lei nº 11.713.
O diretor do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Superior do Oeste do Paraná (Sinteoeste), Luiz Fernando Reis, expôs no plenário da Assembléia Legislativa que os professores também pleiteiam a realização de concurso público para reestruturar o quadro do ensino superior. Outra reivindicação é que o governo do Paraná reveja o percentual de repasse da arrecadação com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o orçamento das universidades, que vem sendo reduzido. Segundo ele, no governo passado, o índice, que chegou a 12%, foi reduzido para 9,12%, em 2002, e, este ano, caiu para 8,14%.(Colaborou Rodrigo Sais)

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