Professores universitários interrompem greve de fome
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sexta-feira, 26 de junho de 1998
Liliana Enriqueta Lavoratti Agência Estado 
A greve de fome de 16 professores universitários federais, que permaneceram 12 dias tomando apenas água, foi suspensa na madrugada de ontem, em Brasília. Esse gesto nobre é para demonstrar ao governo que também estamos dispostos a negociar as reivindicações da paralisação das universidades públicas, afirmou o porta-voz do grupo, o professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Marcos Herter, ao anunciar a decisão, tomada no final da noite de quinta-feira. Após a 1 hora de sexta-feira os professores voltaram a se alimentar.
A greve dos professores das instituições de ensino superior começou há 88 dias. Segundo Herter, a volta às salas de aula depende de um acordo em torno do projeto de lei de gratificação dos professores, apresentado pelo governo e rejeitado pelos docentes. A greve de fome foi vitoriosa ao conseguir que a Câmara dos Deputados não votasse a proposta do governo; agora vamos concentrar nossos esforços junto aos parlamentares para forçar um substitutivo contemplando nossas reivindicações, entre elas o reajuste dos salários, afirmou Herter. A categoria quer reajuste linear de 48,65%.
O relator do projeto de lei, deputado José Jorge (PFL-PE), solicitou o fim da greve de fome para facilitar as negociações, segundo um dos participantes do movimento, Valter Pires Pereira. O alto grau de desgaste físico, com maior possibilidade de agravamento dos problemas de saúde manifestados pelos grevistas - cuja idade média é de 45 anos -, também influenciou a decisão anunciada ontem.
O projeto de lei de gratificações dos professores universitários deverá ser votado na Câmara na terça-feira, dia 30. Uma das principais resistências da oposição para aprovar a proposta é o item que condiciona a gratificação a uma avaliação da produtividade dos professores de nível superior. O líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE), já avisou que o substitutivo será votado neste terça com ou sem acordo.
Começou ontem e vai até segunda-feira, em Campina Grande, a 130 quilômetros de João Pessoa, o 36º Conselho Nacional de Associações Docentes (Conad), que discutirá a autonomia universitária e os desdobramentos da greve do ensino superior, iniciada há mais de 80 dias. O encontro reúne 55 delegados e mais 50 observadores e associações docentes de todo o País. A Andes luta contra o tempo por causa da lei eleitoral, que limita o período de concessão de gratificações a 3 de julho.


