Brasília, 13 (AE) - Empenhadas em obter um bom conceito no Exame Nacional de Cursos, o Provão, universidades e faculdades particulares enviaram hoje professores aos locais de prova para incentivar os estudantes. Faltando 15 minutos para os portões serem fechados, às 13 horas, dez deles acompanhavam a entrada dos alunos no Centro Interescolar Caseb, em Brasília, onde formandos de seis cursos iriam ser avaliados.
"Dá pra desejar boa sorte", disse o professor de administração da Universidade Católica de Brasília (UCB) Alexandre Jatobá, na esperança de que o apoio pouco antes do exame ajudasse a melhorar o desempenho dos estudantes - e da sua instituição - no Provão.
Nos últimos dois anos, o curso de administração da UCB ficou com o conceito D (numa escala em que o melhor é A e o pior
E). "Estamos fazendo um mutirão", resumiu Jatobá, acompanhado de outros três colegas.
Com olhar atento, os professores de administração do Centro de Ensino Unificado de Brasília (Uni-Ceub) Maria Helena Barros e Aldo Rosso acompanhavam a chegada dos inscritos. Ao identificar formandos do Uni-Ceub, iam conversar com eles.
Foi o caso da estudante Érica Amorim, que recebeu um longo abraço da professora cinco minutos antes de começar a prova. "Estamos aqui para mostrar aos alunos que não estão sozinhos", disse Maria Helena.
O coordenador do curso de Jornalismo do Uni-Ceub, Jorge Duarte, também esteve no local. "O Provão motiva a direção, os professores e alunos a pensar na qualidade do curso", observou ele. Outros três professores da União Educacional de Brasília (Uneb) foram ao Caseb, mas preferiram não se identificar. "Só a direção fala sobre o Provão", justificou um deles.
Interesse - A mobilização dos professores no dia da prova faz parte do esforço das instituições de ensino, em especial as particulares, para garantir uma boa posição no ranking do Provão. Nas últimas semanas, muitas delas realizaram aulas especiais e até testes simulados para preparar seus alunos.
Mas todo o empenho pode ser em vão. Afinal, quem faz a prova são os alunos e, individualmente, eles não sofrem nenhum prejuízo diante de um mau resultado.
Para o coordenador do Provão, Tancredo Maia Filho, porém
isso não diminui a dedicação dos estudantes. Ele lembra que, no ano passado, 91,8% dos inscritos pediram para ser informados sobre sua nota individual.
É o caso, este ano, do formando em letras (licenciatura) pela Universidade de Brasília (UnB) Eduardo Carvalho, de 26 anos
o primeiro a chegar ao Colégio La Salle, outro local de prova em Brasília. "Se for bem, quero colocar a nota em meu currículo", disse ele, que identifica uma crescente motivação por parte dos estudantes em ir bem na prova.
"Não gostaria de me formar numa instituição que tenha conceito ruim." O estudante de engenharia mecânica da UnB Luciano Carneiro, de 24 anos, era outro preocupado em obter um bom resultado. "Quero ajudar a manter o status da minha universidade", disse o aluno da UnB, instituição com o maior número proporcional de "A" no Provão do ano passado.
Carneiro contou que o conteúdo do teste chegou a ser discutido em sala de aula por seus professores. "O objetivo era ver o que poderia ser cobrado na prova."
A estudante de jornalismo do Uni-Ceub Juliana Nunes, de 23 anos, no entanto, estava disposta a entregar a prova em branco. "Não é justo que a gente seja avaliado e a nota vá para a faculdade", disse ela, insatisfeita com a qualidade do curso. "A maior parte do que aprendi foi fora da faculdade", concordou a colega de curso Naiobe Quelem, de 21 anos.
Juliana pretendia colar na prova o adesivo distribuído pela Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos), com a inscrição Colei no Provão! Avaliação pra Valer. "Em vez de contribuir para a melhoria das instituições, o Provão é punitivo para as escolas ruins", criticou a secretária-executiva da Enecos, Mônica Montenegro, que pedia aos formandos de Jornalismo que entregassem o teste em branco.
Naiobe, porém, ainda estava em dúvida sobre seguir a orientação da Enecos. "Tenho conhecimentos suficientes e também curiosidade em ver como é o Provão", disse ela.
Decidida a fazer o teste, a aluna de administração da Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (AEU-DF) Carla Cíntia Marques defendeu a avaliação: "As faculdades vão levar o ensino mais a sério e contratar professores mais gabaritados", afirmou Carla. "Está na hora de os alunos acordarem para isso."

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