Professores saem às ruas em memória de 'massacres'
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sábado, 29 de agosto de 2015
Mariana Franco Ramos<br> Reportagem Local 
Curitiba Mais de 4 mil professores, segundo os organizadores, realizaram um ato ontem pelas ruas do centro de Curitiba com o objetivo de relembrar dois episódios que marcaram a educação pública no Paraná. Primeiro, às 8 horas, eles aprovaram um calendário de mobilizações, em uma assembleia realizada na Praça Santos Andrade. Depois, por volta das 10h15, caminharam até a Praça 19 de Dezembro, onde se uniram com outros trabalhadores e integrantes de movimentos sociais, rumo ao Centro Cívico.
Foi lá que, no dia 30 de agosto de 1988, na gestão do então governador Alvaro Dias, hoje senador pelo PSDB, a Polícia Militar avançou com cavalos, cães e bombas de efeito moral contra uma multidão de docentes, em frente ao Palácio Iguaçu. Vinte e sete anos depois, em 29 de abril de 2015, já no segundo mandato de Beto Richa (PSDB), a história se repetiu, mas em proporções maiores - foram mais de 200 feridos. Os manifestantes eram contrários à reforma na Paranaprevidência, aprovada pelos deputados estaduais e sancionada por Beto.
"Em todo dia 29 faremos de cada escola e sala de aula uma trincheira de resistência e de luta", discursou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná (APP-Sindicato), Hermes Leão. Ele negou que as conversas com os estudantes se configurem doutrinação ideológica, como alega a administração tucana. "Estamos trabalhando como agentes do conhecimento. São fatos que já compõem a história."
A professora aposentada Dulcinda da Silva, de 76 anos, que lecionou em Cianorte e hoje mora na capital, participou dos dois episódios. De acordo com ela, apesar de 1988 ter deixado marcas profundas, o deste ano foi "infinitamente pior". "Foi terrível, pecaminoso. A gente não chegou a ferir ninguém e eles fizeram essa retaliação."
Além da definição do calendário, os educadores decidiram realizar uma série de mobilizações para evitar a aprovação de um novo projeto de lei polêmico, o 631/2015, que modifica as regras para eleição de diretores nas 2,1 mil escolas da rede estadual.


