Oitenta educadores supervisores e professores de 35 escolas municipais participaram do curso ''DST e Aids (Re)significando a prática'', promovido em conjunto pelas secretarias municipais de Educação e Saúde de Londrina.
Com apoio do Ministério da Saúde, o evento é um exemplo do amadurecimento das políticas de prevenção, cuja tendência é descartar o chamado ''adestramento'', aplicado anteriormente na educação sexual, para torná-la parte de um todo, inserida em noções de cidadania e bem-estar comunitário.
A exceção dos supervisores das escolas dos distritos, onde a rede municipal também atende alunos de 5 a 8 séries, os cursandos trabalham com crianças do pré-escolar à 4 série do ensino fundamental. O objetivo é incluir o tema desde o início da escolarização, contrariando a política anterior de incluir a educação preventiva apenas na adolescência.
Pesquisa realizada no ano passado pela Secretaria de Sa© úde apontou números preocupantes e se transformou em sinal de alerta para a administração municipal. Segundo o levantamento, a vida sexual das meninas está começando cada vez mais cedo a idade média da primeira relação é aos 14 anos e a maioria não usa preservativo.
Outros dados igualmente preocupantes: 19% dos partos realizados no município no ano passado foram feitos em adolescentes de 13 a 19 anos, número ainda considerado muito alto para os padrões internacionais. Ainda mais impactante foi o recrudescimento da epidemia de Aids na mesma faixa etária. Depois de quatro anos sem casos entre adolescentes, o município teve em um único ano 2001 10 confirmações, sendo sete meninas.
Foi então que a administração municipal decidiu fazer uma ofensiva usando a sala de aula como centro irradiador de informação sobre sexualidade. Como base, foi usada a nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que dá ênfase a questões como ética, cidadania, violência e sexualidade.
''Estamos passando por um processo de reconstrução da visão do professor sobre o assunto. A maioria foi educada durante a ditadura e tem que reaprender algumas abordagens'', explica Rosângela Alvanhan, que há um ano é coordenadora municipal de DST-Aids, da Secretaria Municipal de Sa© úde.
Na primeira etapa, em outubro do ano passado, educadores de metade das unidades da rede municipal passaram por um treinamento com o mesmo conteúdo do curso realizado na semana passada. Antes, os mesmos profissionais já haviam participado de um evento promovido pela Associação Médica, o Congresso de Adolescentes, que também fez uma reflexão sobre a importância das DST-Aids na educação regular. Um grupo de professores participou de outro curso, Sexualidade Clínica, também organizado pela Associação Médica.
''Estamos no início de um trabalho e devemos começar a implementar os projetos elaborados nestes cursos durante o próximo ano letivo. O objetivo é treinar o maior número possível de professores'', planeja Rosângela. ''Por enquanto, quem foi treinado irá funcionar como uma referência na comunidade escolar'', explica.
Relatórios dos cursos serão usados na participação da delegação de Londrina na 8 edição do Educaids, o principal evento sobre educação e Aids do País, marcado para o período entre 12 e 15 de junho em São Paulo. Será mais uma oportunidade para que os educadores da rede municipal se informem sobre a experiência de colegas em todo o País.

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